sábado, 30 de maio de 2009

Tráfico

TRÁFICO

DIG (Delegacia de Investigações Gerais) prendeu ontem, por volta das 6h, um dos líderes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no interior do Estado de São Paulo. O suspeito é o mecânico L.F.Z., 32, responsável, conforme a polícia, pela deliberação de crimes nas regiões de Piracicaba, Campinas, Sorocaba e São José dos Campos, como o resgate de detentas da cadeia de Charqueada, e pelo julgamento de integrantes ou não do grupo. A maioria de suas sentenças tinha como pena a morte. Os trabalhos, coordenados pelos delegados Edélcio Vieira, Fernando Marcos Dultra e João Batista Vieira de Camargo, contaram com o auxílio de 15 policiais da DIG, da Seccional e do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), que cumpriram nove mandados judiciais. O mecânico foi preso em casa no Jardim Petrópolis. Também foram detidos I.H.P., 24, encontrado no bairro Nova América; I.O., 42, em residência no Bairro Alto, e F.F.R., 26, no bairro Piracicamirim. Exceto o último, todos tinham passagem pela polícia por tráfico. Com eles foram localizados 115 pedras de crack, um tablete de maconha, celulares e anotações. Os suspeitos acabaram autuados em flagrante por associação e tráfico de drogas. As investigações sobre o grupo, segundo a DIG, tiveram início em março do ano passado, resultando, em dezembro, no desmantelamento de um tribunal do PCC (leia texto nesta página). Essa célula criminosa, de acordo com Dultra, era coordenada pelo sintonia externo do PCC, A.L.S., 24 ­­ responsável pelo cumprimento de ordens do grupo fora das unidades prisionais ­­ e composta por 18 membros, que agiam em Piracicaba e região organizando e cometendo crimes como seqüestro, cárcere privado, homicídio, roubo e tráfico. "No início do ano, concluímos as investigações, que tiveram prisões em flagrante no decorrer das apurações e prisões preventivas decretadas", narrou. Um dos indiciados era L.F.Z., que não havia sido encontrado. De acordo com Dultra, como o sintonia externo da facção foi preso, a falta de liderança do grupo em Piracicaba propiciou que o mecânico assumisse essas funções. "Ele subiu rapidamente de hierarquia e se transformou no principal líder da facção, não apenas em Piracicaba, mas em todo o interior de São Paulo, sendo responsável pelo julgamento de integrantes ou não do PCC. Muitas de suas sentenças era a morte", afirmou. Uma das reuniões que a DIG apurou ocorreu no último dia 12, às 18h, em Campinas. Na ocasião, 25 membros do grupo reuniramse em um lava-rápido na rua Piracicaba, Jardim Novo Campos Elíseos, sendo surpreendidos Polícia Militar. Um homem, procurado pela Justiça, foi preso e cadernos apreendidos. A célula criminosa comandada por L.F.Z. foi ainda responsável, segundo Camargo, por quatro homicídios registrados em Sorocaba, um assassinato em Campinas, roubos em Piracicaba, o plano de resgate de um membro da facção que iria para uma audiência em São Paulo e pelo resgate de oito presas na cadeia feminina de Charqueada, em 10 de fevereiro. "O indiciado também comandava um esquema de tráfico em Piracicaba, que tinha a participação dos outros três detidos na operação", disse. Alessandro Maschio/ JP Mecânico suspeito foi transferido ontem para o CDP sob forte esquema de segurança
As investigações conduzidas pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) sobre a célula criminosa havia resultado, no dia 10 de dezembro de 2008, na desarticulação de um tribunal do PCC (Primeiro Comando da Capital) que atuava na região com julgamentos comandados do interior de duas penitenciária. A liderança, na época, conforme a polícia, era do sintonia externo da facção, A.L.S., 24, que teria o mecânico L.F.Z., 32, como um dos membros de seu grupo. Com a queda do tribunal, a DIG indiciou 11 criminosos, quatro deles presos na época da operação e outros três que já se encontravam encarcerados, e deu continuidade nas apurações. Também conseguiu esclarecer dois homicídios cometidos em ano passado em Piracicaba, dois em Campinas, em 17 e 28 de abril, e o último em Monte Mor, no dia 4 de maio de 2008. Os assassinatos em Piracicaba tiveram como vítimas André Aparecido Garcia, 28, no dia 8 de setembro, que teve as mãos e os pés amarrados e foi morto com três tiros em carreador de cana na Fazenda Taquaral, e o pedreiro Aroaldo Severino dos Santos, 34, executado com cinco tiros dois dias depois em canavial no bairro Floresta. Ambos eram suspeitos de estupros, mas as execuções teriam ocorrido também porque o primeiro pertenceria a uma facção rival e pelo fato do segundo estar com problemas relacionados ao tráfico de drogas. Um terceiro sentenciado pelo tribunal do PCC conseguiu escapar. Ele seria o responsável pelo assassinato do estudante Michel Munhoz Ricardo, 17, em 2 de novembro no bairro Boa Esperança. O delegado Edélcio Vieira apurou na época que em todos os julgamentos as vítimas eram seqüestradas e mantidas em cárcere privada até o momento da sentença. Em cada "júri" realizado, a coordenação ficava para o sintonia externo, que seria responsável em receber as ordens da facção e executá-las, e dos sintonias internos, que ficavam em penitenciárias. As vítimas eram interrogadas, testemunhas ouvidas e a sentença pronunciada. Para o delegado da DIG, Fernando Marcos Dultra, as ações realizadas no final do ano passado e ontem representaram um golpe importante na estrutura da facção, já que o mecânico era considerado uma de suas principais lideranças. As investigações, conforme o delegado João Batista Vieira de Camargo, terão continuidade para identificar outros membros do grupo.

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