Ministério da Saúde diz que gastou R$ 11 milhões na compra de aparelhos.Segundo governo, equipamentos devem ser instalados até o fim do ano. Pacientes com câncer no Pará que dependem da rede pública estão impedidos de fazer tratamento de radioterapia, enquanto não são instalados os equipamentos que foram comprados há anos. O servidor público Flaviano Lopes da Silva descobriu que tem câncer de próstata em dezembro do ano passado e ainda não conseguiu iniciar o tratamento. “Essa doença não espera, cada dia que passa ela se complica”, diz Silva. Em Belém, o Hospital Ophir Loyola é o único do Pará que oferece tratamento para doentes com câncer. A unidade atende dois mil novos casos por ano, mas dos quatro equipamentos usados para radioterapia, dois estão quebrados.
A professora Rosângela Silva tem câncer na garganta e está angustiada. “Alguns pacientes vão falecer nesta fila de espera quando poderiam ter essa sobrevida aumentada, ter recebido um tratamento que prolongasse a sobrevida e reduzisse os sintomas. É muito triste”, disse.
Os aparelhos que poderiam salvar vidas estão encaixotados em hospitais de Belém e do interior do estado. São quatro aceleradores lineares que destroem as células do tumor.
O Ministério da Saúde informou que gastou R$ 11 milhões na compra dos quatro equipamentos. Segundo o Ministério, dois aparelhos chegaram ao Pará em 2004, um chegou em 2006 e outro, em 2007.
O ex-secretário estadual de Saúde Fernando Dourado dá outra versão. “O único equipamento que chegou durante nosso governo foi em setembro de 2006, último ano de nossa administração. E ele dependia de uma obra. Foi deixado recursos e a planta pronta, e até o hoje a obra não começou”, afirmou.
Na semana passada, três dias antes de pedir demissão, a então secretária estadual de Saúde Paula Sampaio reconheceu que ocorreram atrasos. Ela disse que dois aparelhos podem entrar em operação até o fim do ano.“Vamos trabalhar para colocar o mais breve possível, no segundo semestre, mas vai depender das obras físicas”, disse Paula.
Em julho do ano passado, a dona-de-casa Paula Monteiro descobriu que tem câncer de colo de útero. Só em fevereiro deste ano começou o tratamento, que já foi interrompido. “Para mim, é essencial esse tratamento porque a cada dia que passa é um dia a menos na minha vida e eu vim aqui justamente porque to lutando pela minha vida.”
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde do Pará informou que estão mantidas as previsões da ex-secretária. Os dois aparelhos de radioterapia devem entrar em funcionamento no segundo semestre deste ano. Um deles ficará no Hospital Ophir Loyola e outro, no Hospital Universitário Barros Barreto. Fonte G1
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