sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Micheletti diz a deputados brasileiros que irá encerrar o estado de sítio, mas não dá prazo

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Em uma conversa de duas horas com a missão de deputados brasileiros, o presidente golpista de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou que irá "levantar o estado de sítio e suspender o toque de recolher", informa o Blog do Josias. Micheletti não estipulou prazos.
Na noite de quarta-feira (30), o governo golpista já indicava um relaxamento das medidas de exceção e deixou de declarar otoque de recolher pela primeira vez desde que o presidente deposto Manuel Zelaya retornou a Honduras na última semana.
Durante o encontro, Michelleti teria se comprometido em respeitar a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa e encerrar as revistas dos diplomatas brasileiros, que teriam livre trânsito. No entanto, os diplomatas não poderiam sair para dar entrevistas a favor de Zelaya, teria afirmado o presidente golpista. Também se comprometeu em religar o telefone fixo da embaixada.
Micheletti não quis responder, no entanto, se aceita um acordo que permita a volta de Manuel Zelaya ao poder, como exige o Brasil e a comunidade internacional. "Vamos deixar isso para as pessoas que vão negociar", afirmou.
Zelaya diz a deputados que aceita perder poder
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta quinta-feira (1) a parlamentares brasileiros que estaria disposto a ceder parte de seu poder presidencial se isso fosse necessário para alcançar um acordo com o governo golpista de Roberto Micheletti.

A informação foi dada pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ao final da visita de uma delegação de parlamentares à Embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde Zelaya está abrigado desde o dia 21 de setembro. Além de Jungmann, compunham a comissão os deputados Ivan Valente (PSOL-SP), Janete Rocha Pietá (PT-SP), Claudio Cajado (DEM-BA), Bruno Araújo (PSDB-PE) e Maurício Rands (PT-PE).
"Segundo ele [Zelaya], ele cederia muitas partes do seu poder, mas ele fazia questão de dar sua contribuição para que o processo caminhasse", afirmou Jungmann à imprensa brasileira em Tegucigalpa. "Ele aceita ser processado, ele aceita ser julgado, ele aceita abrir mão de diversos dos seus poderes, aceita abrir mão de uma constituinte, ele só não abre mão de voltar e concluir o seu mandato", explicou o deputado do PPS."
A segunda coisa que ele observou [Zelaya] é que espera um resultado nas próximas duas semanas, porque senão o povo começaria a rejeitar as eleições, porque essas eleições seriam ilegítimas", relatou Jungmann.

"Eu também coloquei para ele que a posição brasileira, de acordo com a posição internacional, é a do retorno à democracia, é de condenação ao golpe", acrescentou o parlamentar. "Mas que nos causava desconforto a utilização da nossa Embaixada para que se mandem mensagens que serão entendidas por alguns como a incitação à desobediência".
Ainda segundo representantes da delegação de deputados brasileiros, Zelaya afirmou que não há no momento nenhuma negociação direta com Micheletti, mas que acredita em avanços com a vinda de representantes da OEA. O presidente hondurenho deposto também teria afirmado que, para ele, a solução da crise passa pelo acordo de San José, mas em uma lógica segunda a qual "se aceita o plano, e depois se discute o plano".
A situação dentro da EmbaixadaO deputado Jungman classificou a situação dentro do prédio da Embaixada brasileira nesse momento como uma "tranqüilidade tensa". "Há uma organização, eu diria que está tudo bastante limpo. Houve um descontrole inicial, e nesse momento inclusive não se teve o controle da Embaixada, mas me foi assegurado tanto pelo [Francisco] Catunda [encarregado de negócios] quanto pelo Lineu [de Paula, ministro conselheiro do Brasil na Organização dos Estados Americanos] que eles hoje têm o pleno controle dentro da Embaixada", relatou Jungmann.
"Não existem pessoas armadas mais lá dentro. No total são 63 pessoas, das quais 11 são jornalistas. O sentimento é de tensão, de apreensão, mas nós vimos organização e uma certa tranquilidade", acrescentou o parlamentar.Os seis deputados que estão em Honduras desde a noite de quarta-feira (30) devem pagar hospedagem, transporte e alimentação do próprio bolso. Eles disseram que vão abdicar das diárias a que teriam direito devido a grande burocracia necessária para obtê-las. A volta para o Brasil está prevista para sexta-feira (2).
*Com informações de Thiago Scarelli, enviado especial do UOL Notícias em Tegucigalpa, Blog do Josias, Agência Brasil e agências internacionais

Nenhum comentário: