quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Missão da OEA chega a Honduras para tentar por fim à crise; Zelaya exige voltar ao poder em uma semana

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Uma delegação de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) chegou nesta quarta-feira (7) a Honduras com a intenção de estabelecer um acordo para pôr fim à crise política entre o governo golpista e o presidente deposto Manuel Zelaya.
Ainda nesta quarta-feira, Zelaya exigiu sua restituição à Presidência de Honduras em uma semana. De acordo com o assessor Rasel Tomé, Zelaya disse que se voltar ao poder até 15 de outubro, as eleições poderão ocorrer normalmente em 29 de novembro.

O presidente golpista, Roberto Micheletti, pediu a instauração do diálogo na noite de terça-feira, mas Zelaya exibiu outra vez seu ceticismo acerca das verdadeiras intenções do rival. Zelaya não abre mão de voltar à Presidência.

"Eu sou um homem de fé e acho que ainda há uma saída, mas não a vejo próxima", disse Zelaya à rádio HRN.

Em discurso em rede nacional de rádio e TV, sem citar o nome de Zelaya, Micheletti disse: "Meu governo convoca uma mesa de diálogo para abordar com novo espírito os temas que de alguma maneira já foram objeto de consideração em documentos de trabalho no diálogo de San José (uma tentativa anterior de mediação feita pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias)."
A fim de alcançar o chamado "Acordo de Guaymuras", Micheletti propôs que a mesa de diálogo - na qual participarão três representantes de cada lado em conflito - revisem alguns temas incluídos no acordo proposto por Arias.

"Em particular dois temas cruciais, que se referem ao respeito aos poderes do Estado e à anistia", disse o presidente de facto.

O representante do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), embaixador Ruy Casaes, afirmou que o retorno de Manuel Zelaya ao poder "é inegociável do ponto de vista da comunidade internacional".
Mas Micheletti não falou sobre a possibilidade de permitir a volta de Zelaya ao poder, algo que Arias previa no seu plano e que a comunidade internacional também tem defendido.
A proposta de Arias previa, além da restituição de Zelaya, a criação de um governo de unidade nacional e uma anistia geral a ser decretada pelo Congresso.

Zelaya voltou clandestinamente do exílio há mais de duas semanas, e desde então está refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Ele diz que a convocação do governo de facto ao diálogo é uma manobra dos golpistas para ganhar tempo.
"Enquanto a ditadura que está estabelecida em Honduras não depositar a presidência da República nas mãos de quem o povo escolheu para governar, todo o resto é um show simplesmente para perpetuar suas ambições de poder", disse Zelaya ao canal 11 da TV.

Na quinta-feira, os integrantes da missão visitarão Zelaya dentro da embaixada brasileira, que se encontra rodeada por um cerco militar que pretende detê-lo por acusações de corrupção e de violar a Constituição.

A crise política em Honduras já dura mais de 100 dias. Zelaya foi deposto da Presidência e expulso do país no final de junho. Após percorrer uma série de países vizinhos, ele retornou a Tegucigalpa e se abrigou na embaixada brasileira, onde permanece.
*Com agências internacionais





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