Uma nova forma de colesterol, que a maioria das pessoas desconhece, pode ser a mais perigosa para a saúde cardiovascular. A gordura, chamada oxicolesterol, parece ter efeitos ainda maiores do que o chamado colesterol “ruim” (LDL) no aumento do colesterol total no sangue e na formação de placas de gordura nas artérias.
Um importante estudo sobre a ação do oxicolesterol proveniente de alimentos acaba de ser apresentado no congresso da American Chemical Society. Realizado por cientistas da Universidade Chinesa de Hong Kong, o estudo demonstra que o oxicolesterol aumenta o nível de colesterol total no sangue de forma mais significativa do que os outros tipos de gordura.
No organismo, o oxicolesterol é produzido por meio de reações entre as gorduras e o oxigênio, no processo conhecido como oxidação. Quando alimentos ricos em gorduras são aquecidos a altas temperaturas – por exemplo, ao fritar uma carne – a oxidação também ocorre.
Nos alimentos processados, o uso de gordura trans ou óleo vegetal parcialmente hidrogenado também acrescenta oxicolesterol ao produto.
Os efeitos do LDL, o colesterol “ruim”, e os benefícios do HDL, o colesterol “bom”, continuam sendo fundamentais para os cuidados com a saúde cardiovascular, mas o coordenador do estudo, Zhen-Yu Chen, alerta que o oxicolesterol não pode ser ignorado. “Nosso trabalho demonstrou que o oxicolesterol aumenta os níveis totais de colesterol e promove a aterosclerose em maior medida do que o colesterol não oxidado”, diz Chen.
Os alimentos com maior quantidade de oxicolesterol são as frituras, a comida processada e, particularmente, a chamada fast-food. Segundo os pesquisadores chineses, evitar esse tipo de comida e manter uma dieta rica em antioxidantes, encontrados em alimentos como frutas e hortaliças frescas, pode ajudar a diminuir os níveis dessa forma de colesterol no sangue. Esses alimentos também contribuem para o controle dos níveis de LDL.
No estudo realizado na Universidade de Hong Kong, os efeitos de uma dieta rica em oxicolesterol foram medidos em hamsters. Nos animais alimentados com altas quantidades dessa gordura, o nível de colesterol no sangue subiu 22% a mais do que nos hamsters que receberam alimentos sem colesterol oxidado.
No grupo de hamsters alimentado com oxicolesterol, também foram observados maiores depósitos de gordura nas paredes das artérias. Esses depósitos formam as placas de gordura que aumentam o risco de infartos e derrames.
O ponto mais importante, segundo o coordenador do estudo, foram os efeitos na função arterial. “O oxicolesterol reduziu a elasticidade das artérias, prejudicando sua capacidade de se expandir e manter o bom fluxo sanguíneo, aumentando o risco de coágulos”, diz Chen.
Os pesquisadores ainda não sabem se as estatinas, os medicamentos mais utilizados para diminuir o colesterol, podem reduzir também os níveis de oxicolesterol no sangue. Por enquanto, a medida recomendadas para contrabalancear os efeitos nocivos dessa nova forma de colesterol é manter uma dieta rica em frutas, vegetais, leguminosas, cereais integrais e frutas oleaginosas.
Iara Biderman, Portal Terra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário