Thais Bilenky, Terra.
Uma semana depois do arquivamento sumário de onze denúncias contra o senador José Sarney, pelo presidente do Conselho de Ética, o engavetamento da representação contra o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), "zerou o jogo", na avaliação do senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Uma semana depois do arquivamento sumário de onze denúncias contra o senador José Sarney, pelo presidente do Conselho de Ética, o engavetamento da representação contra o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), "zerou o jogo", na avaliação do senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Suplente do conselho, a pedido do líder petista no Senado, Aloizio Mercadante (SP), mas a contragosto, Delcídio afirma a Terra Magazine que "não ocorrerão votos diferenciados" na bancada do PT, composta ainda pela senadora Ideli Salvatti (SC) e o senador João Pedro (AM), todos suplentes.
A base aliada já pediu a reabertura do processo contra Virgílio, repetindo o gesto da oposição contra Sarney. O presidente do conselho, Paulo Duque, disse a Terra Magazine: "Todas as votações precisam ser desempatadas... Eu que fiz tudo, seria ótimo se eu pudesse desempatar".
O PT aguarda análise da consultoria jurídica do partido para se posicionar. Em minoria no conselho, Amaral, Ideli e João Pedro debatem com oito senadores do PMDB e cinco do PSDB. Amaral nega que o partido seja pressionado:
- Porque a posição é muito definida de um lado e do outro. E também, lhe confesso, não sei lhe dizer, em função desse arquivamento da representação contra o Arthur Virgílio, como é que a oposição vai se comportar com relação às outras representações.
Amaral manifesta indisposição, bem como a colega Ideli Salvatti, em ocupar a suplência no conselho, devido ao desgaste eleitoral, mas insiste que o clima no PT está "tranquilo". No olho do furacão, Mercadante, que protagonizou bate-boca reservado com o presidente José Sarney (PMDB-AP), sinalizou desapego ao cargo de líder.
Terra Magazine - Como fica a possibilidade de o PT atuar com independência, após o arquivamento de todas as representações, inclusive a da base aliada, contra o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM)?
Delcídio Amaral - Essa é uma boa pergunta...
Está difícil?
Não ocorrerão votos diferenciados na bancada do PT. Se o PT assumir uma posição, vai ser uma posição de todos os representantes do PT no Conselho de Ética. Como a consultoria jurídica da liderança do PT está analisando representação por representação, nós possivelmente na semana que vem vamos sentar para avaliar caso a caso, e aí efetivamente tomar uma decisão. Mas é claro que com o arquivamento de todas as representações, você já tem um cenário mais complexo do que o cenário anterior.
O PT tem minoria no Conselho. O PSDB e o PMDB podem atropelar o partido?
Não acho isso. Porque a posição é muito definida de um lado e do outro. E também, lhe confesso, não sei lhe dizer, em função desse arquivamento da representação contra o Arthur Virgílio, como é que a oposição vai se comportar com relação às outras representações.
O que o senhor achou desse arquivamento?
Ele baixa a bola geral. Ele zera o jogo. É o máximo que eu posso te falar. É um novo quadro em que nós vamos ter que nos posicionar.
Foi noticiado que tanto o senhor, como a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) poderiam não permanecer no conselho. Procede?
Nós só assumimos a suplência porque foi uma solicitação do líder, senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Mas nós dois sempre manifestamos que não queríamos ser do Conselho de Ética - a Ideli por tudo que ela enfrentou, e no meu caso, poxa, fui da CPI dos Correios. Não é uma coisa simples, eu sei o quanto é difícil você assumir uma responsabilidade dessas.
E a questão do ano eleitoral também pesa?
É claro que pesa.
O presidente do conselho Paulo Duque (PMDB-RJ) disse que queria centralizar todas as decisões. A postura dele tem sido propícia a diálogo?
Deve ter tomado as decisões, vamos dizer assim, sustentadas por pareceres da assessoria jurídica que atende ao Conselho de Ética. E está dentro das atribuições dele, ele pode fazer arquivar ou não. (Centralização) Não compromete porque quando você vai discutir os recursos, o conselho vai julgar, e uma decisão dele pode não prevalecer.
O diálogo do PT com o PMDB ficou mais tenso?
Quem tem conversado é o líder, senador Aloizio Mercadante, infelizmente não participei dessas conversas.
A bancada do PT está pressionada?
O PT está muito sereno, e vai decidir com tranquilidade. A última reunião do PT foi muito tranquila.
O senador Pedro Simon cogita renunciar ao cargo e a OAB conclama os senadores a colocarem seus mandatos à consulta popular. Como vê esse movimento?
Respeito a opinião da OAB mas não concordo.
Por quê?
Não é por aí. Temos uma crise, mas que está sendo equacionada, resolvida. Não podemos interpretar essa questão como se todos os senadores fossem responsáveis por essa situação. Essa situação se estende há muitos e muitos anos.
Os senadores estão cumprindo o que a sociedade creditou a eles?
Os senadores têm um trabalho profícuo nos Estados. E essa crise é uma crise que, se o Senado a compreender bem, e aprender suas lições, fica mais forte, desde que medidas saneadoras venham a ser tomadas.
E serão tomadas?
Não há dúvida nenhuma. E muitas já estão sendo tomadas pela própria Mesa Diretora. Você não muda uma instituição da noite por dia, uma instituição que teve uma série de procedimentos que se estabeleceram por décadas. Nenhuma instituição no mundo. Não tenho dúvida que todos os senadores tenham uma avaliação muito clara desse quadro e um entendimento de que precisa mudar.
Terra Magazine
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