quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Governistas prometem retaliar decisão da oposição de ouvir Lina Vieira na CCJ

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A base aliada do governo no Senado prometeu nesta quarta-feira retaliar a decisão de senadores da oposição de aprovar, no plenário da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), convite para a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira prestar depoimento na comissão.

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), disse que a partir de agora vai exigir a verificação de quorum (número de senadores presentes) em todas as votações das comissões para evitar "surpresas" aos governistas.

"Foi uma quebra de procedimento do presidente da CCJ. O senador Demóstenes Torres [DEM-GO] tem acordo de procedimento respeitado todo este ano de não votar matérias polêmicas sem quorum e sem que as forças políticas fossem previamente informadas", afirmou.

A oposição conseguiu aprovar hoje o convite para o depoimento de Lina Vieira aproveitando um "cochilo" dos governistas, que tinham como representante na CCJ somente o senador Inácio Arruda (PC do B-CE) no momento da votação. De forma simbólica, os senadores aprovaram sob o comando de Demóstenes o depoimento de Lina para o dia 18 de agosto.
Mercadante disse que a CCJ já aprovou uma série de projetos por meio de acordo, mas as matérias polêmicas só são avaliadas após conversas entre todos os partidos. "Hoje havia uma audiência pública e eles votaram [o convite] sem comunicar a bancada do PT. Evidente que foi uma manobra deles", afirmou.
A oposição adotou a estratégia de convidar Lina Vieira a depor na CCJ porque não tem maioria na CPI da Petrobras para aprovar o requerimento. Como Demóstenes, do DEM, preside a CCJ, o senador permitiu a inclusão do requerimento na pauta da comissão mesmo com o plenário vazio.
Segundo reportagem da Folha, a ex-secretária da Receita disse ter sido chamada para um encontro a sós com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) em dezembro do ano passado. No encontro, a ministra teria pedido que a investigação fosse concluída rapidamente.

A ex-secretária diz ter interpretado o pedido como um recado para encerrar a investigação. Na reportagem da Folha, a ministra já havia dito por meio de sua assessoria que "jamais pediu qualquer coisa desse tipo à secretária da Receita Federal".

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