Senadores vão interrogá-la sobre suposto encontro com Dilma Rousseff.
Segundo Lina, ministra pediu para ‘agilizar’ auditoria contra família Sarney.
Do G1, em Brasília
Do G1, em Brasília
A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira deve participar da reunião desta teça-feira (18) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para falar sobre uma suposta conversa sigilosa com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
No suposto encontro relatado por Lina à imprensa, a ministra teria pedido para ela “agilizar” a conclusão de investigações sobre empresas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Ao jornal “Folha de S.Paulo”, Lina disse que entendeu o recado como um pedido para “encerrar” a investigação. “Falamos sobre amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney”, disse ao jornal.
Dilma nega que o encontro tenha ocorrido, mas a ex-secretária mantém a versão de que as duas se encontraram. Na tentativa de explorar o fato, na última quarta-feira (13) a oposição aproveitou um cochilo da base governista e aprovou um requerimento convidando Lina para falar do caso. O único parlamentar da base aliada era Inácio Arruda (PC do B) que tentou, sem sucesso, adiar a votação.
Lina pode não optar por não comparecer à sessão, já que os senadores aprovaram um requerimento de convite e não de convocação. A ex-secretária, no entanto, já confirmou presença e disse que vai apresentar detalhes que comprovariam a suposta reunião com Dilma.
De acordo com o autor do requerimento de convite a ex-secretária, Antônio Carlos Magalhães Junior (DEM-BA), o suposto encontro deve ser investigado pela comissão porque, se confirmada a versão da Lina, a solicitação da ministra da Casa Civil pode representar uma ingerência indevida dela na Receita Federal.
CPI da Petrobras
A oposição também tenta convocar Lina Vieira a depor na CPI da Petrobras. O objetivo é apurar se ela foi demitida do comando do fisco por ter conduzido investigações que poderiam resultar em uma multa milionária à estatal. A Petrobras teria alterado, de forma irregular, seu regime tributário, o que permitiu deixar de recolher cerca de R$ 1 bilhão em impostos.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que a oposição pensa em propor uma acareação entre Dilma Rousseff e Lina Vieira. O tucano, no entanto, admite que a matéria dificilmente será aprovada na CCJ. “Claro que a acareação seria uma batalha campal para conseguir aprovar. Mas a oposição vai cumprir o dever de propor, caso as explicações da ex-secretária da Receita Federal deixem margem para isso", disse Dias.
Pré-sal
Nesta segunda-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá mais uma vez com o grupo ministerial que elaborou o novo marco regulatório para exploração de petróleo na camada pré-sal. Lula já reuniu os ministros desse grupo por duas vezes para fazer ajustes à proposta que deve ser enviada ao Congresso até o final deste mês.
Na sexta-feira, o ministro Edison Lobão disse que a reunião desta segunda servirá para que o governo analise a possibilidade de distribuição de royalties para estados e municípios com a exploração do pré-sal. O ministro revelou também que o governo já decidiu que a Petrobras terá pelo menos 30% de participação acionária em todos os campos da camada pré-sal.
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