segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Simon diz que recebeu oferta de dossiê contra Collor e recusou

Oferta teria sido feita por advogado de Rosane, ex-mulher de Collor.
Um dia antes, os dois senadores tiveram uma discussão em plenário.
Robson Bonin Do G1, em Brasília

O senador Fernando Collor (PTB-AL) durante sessão no Senado na semana passada, durante bate-boca com Pedro Simon (PMDB-RS). (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse ao G1 que recusou na última terça-feira (4) a oferta de um dossiê com supostas denúncias contra o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), feita pelo advogado de Rosane Malta Collor de Mello, ex-mulher do petebista.

O episódio ocorreu um dia após Simon e Collor terem travado uma dura discussão no plenário da Casa. “Quando fui comunicado da presença desse sujeito, não quis falar com ele e proibi a minha assessoria de receber qualquer documento dele”, disse Simon, por telefone, ao G1.

O senador gaúcho relata que não quis saber o nome do advogado, nem conversar com ele. “Disse que não iria entrar nessa história porque era um problema de marido e mulher”, explica Simon. Os assessores do peemedebista relatam que o advogado foi atendido na recepção do gabinete de Simon e nem teria chegado a entrar na sala do senador.

Em Brasília desde o domingo (2) passado, o advogado de Maceió (AL) Joathas Lins de Albuquerque, defensor de Rosane, disse que tentou conversar com o senador para falar de assuntos que tramitariam na Justiça e envolveriam questões pendentes entre Rosane e Collor.
"Tentei conversar com um assessor jurídico do senador. Mas não foi possível", disse. O advogado preferiu manter sigilo sobre o teor da conversa que teria com Simon. Rosane também não quis revelar informações. "O meu advogado estava em Brasília nesta semana para resolver alguns assuntos dos meus processos. São informações que no momento certo vou poder falar", disse Rosane.
Por meio de sua assessoria, o senador Fernando Collor afirmou que considera normal o episódio e disse que também recebeu uma série de ofertas de dossiês e de informações contra o gaúcho. Mas também não deu atenção aos casos.

Bate-boca
Na segunda-feira, dia 3, Simon fazia um discurso pedindo a saída do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), quando começou a bater-boca com Renan Calheiros (PMDB-AL), líder so partido na Casa. Simon disse que Calheiros abandonou Collor quando lhe foi conveniente e que sempre apoiou qualquer governo. “Não me envergonho de nada que fiz”, rebateu Renan.
Collor interrompeu a discussão entre eles e pediu a palavra. O ex-presidente da República disse: “Essas são palavras que eu não aceito. Quero que o senhor as engula e as digira como julgar conveniente”. Ele afirmou ainda a Simon que o Senado não pode se “agachar” para a imprensa e disse que na próxima vez que for citado de modo negativo pelo gaúcho fará revelações contra ele.
“Evite pronunciar meu nome nesta Casa porque na próxima vez que eu tiver que pronunciar o nome de vossa excelência nesta Casa gostaria de relembrar alguns fatos, alguns momentos, talvez extremamente incômodos para vossa excelência”, disse Collor.

"Eu quero saber o que ele quis dizer com isso. Ele deve explicações", disse Simon por telefone, ao G1. Ao ser informado de que Simon pediu explicação formal sobre suas declarações, o senador Fernando Collor manteve o clima de animosidade. “Ah, manda ele...”, disse, sem completar a frase, logo depois de deixar o gabinete de Sarney.

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