quarta-feira, 12 de agosto de 2009

'Tiraram o bode da sala', diz Virgílio sobre arquivamento feito por Paulo Duque

Presidente do Conselho de Ética arquivou pedido contra o líder do PSDB.
Arthur Virgílio nega que haja acordo para salvar presidente do Senado.
Eduardo Bresciani
Do G1, em Brasília

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), comemorou nesta quarta-feira (12) a decisão do presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), de arquivar a representação do PMDB contra o tucano.

Ele garante que não houve o chamado “acordão” e que seu partido continuará pedindo investigações e o afastamento de José Sarney (PMDB-AP) da Presidência da Casa. “Tiraram o bode da sala. Deixaram de insistir numa perseguição contra quem não vai se dobrar”, disse o tucano. A representação do PMDB tem como base um discurso do próprio tucano em plenário.
Virgílio admitiu ter mantido durante mais de um ano em seu gabinete um funcionário que estudava na Espanha. O tucano já começou a devolver à Casa o dinheiro que foi pago ao funcionário neste período.
Para Duque, apesar do ato ser irregular, o fato do tucano fazer a devolução do dinheiro o isenta de qualquer processo no Conselho. O PMDB queria investigação também sobre o tratamento médico da mãe de Virgílio, já falecida, e de um empréstimo que teria sido feito pelo ex-diretor da Casa Agaciel Maia ao tucano.
Para o presidente do Conselho de Ética, estes fatos também não são passíveis de investigação. Virgílio afirmou que sua absolvição não faz parte de nenhum acordo para salvar Sarney. “Não posso aceitar que para provar que não tem acordo fossem cassar meu mandato sem base para isso. Nós já recorremos de todas as 11 denúncias contra o presidente Sarney. Sugiro aos apressados que aguardem os acontecimentos porque nós vamos mostrar se houve ou não acordão no Conselho de Ética.”

As decisões de Duque são passíveis de recurso para que o plenário do Conselho decida sobre a abertura ou não dos processos. Na semana passada, Duque já tinha mandado ao arquivo 11 ações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e uma contra o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL).

Representação
O PMDB protocolou a representação contra Arthur Virgílio na quarta-feira (5), em resposta às denúncias apresentadas ao Conselho de Ética pela oposição contra o presidente do Senado, José Sarney (PSDB-AP).

A representação contra Virgílio cumpriu a ameaça de retaliação feita pelo líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL). Segundo ele, ao representar contra Sarney o PSDB transformou a crise política em partidária.

Acusação
O senador Arthur Virgílio admitiu ter empregado durante um ano e meio um funcionário que estudava teatro na Espanha. O tucano já negociou com a Diretoria-Geral da Casa e devolverá em quatro parcelas os cerca de R$ 210 mil que o funcionário recebeu no período.

O senador afirmou já ter devolvido R$ 60,6 mil ao Senado. Ele disse que vai se desfazer de imóveis e realizar empréstimos para quitar a dívida.

Arquivamentos
Paulo Duque arquivou todas as 13 denúncias apresentadas ao Conselho de Ética, sendo 11 contra José Sarney. Com relação às acusações contra o presidente do Senado, Duque afirmou que elas não continham provas porque se baseavam em matérias de jornais

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