MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
O PSDB decidiu protocolar na tarde desta terça-feira três novas representações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética da Casa.
As ações tratam do suposto envolvimento do senador com os atos secretos, da suspeita de que teria interferido a favor de um neto que intermediava operações de crédito consignado para servidores do Senado e de ter usado o cargo a favor da fundação que leva seu nome e mentido sobre a responsabilidade administrativa pela fundação.
As punições para Sarney vão desde uma simples advertência verbal até a cassação de seu mandato. A pena tem que ser decidida pela maioria dos conselheiros e em seguida referendada pela maioria do plenário.
A estratégia de propor três representações é para tentar fortalecer a oposição porque, com essa movimentação, o DEM não precisaria representar contra o peemedebista e, com isso, um dos três senadores democratas do colegiado poderia ser sorteado para relatar algum dos processos.
O DEM vai se reunir na próxima semana para decidir se também vai representar contra o peemedebista no conselho. Ao todo, Sarney coleciona oito reclamações no colegiado por quebra de decoro parlamentar. Ele já foi alvo de quatro denúncias apresentadas pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), e uma representação do PSOL.
As denúncias podem ser apresentadas individualmente por parlamentares ou cidadãos e pedem apenas que o conselho investigue. Já a representação pede a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar e só pode ser oficializada por partidos.
Hoje, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que não existe mais espaço para uma conciliação. Guerra afirmou que a movimentação do partido foi provocada pela falta de "respostas claras" nas últimas semanas para as denúncias de nepotismo e tráfico de influência contra o peemedebista.
O tucano confirmou que recebeu um telefonema nesta segunda-feira do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), na tentativa de reverter a ideia dos tucanos de apresentar mais uma representação contra Sarney. A informação foi divulgada hoje pelo "Painel" da Folha.
O presidente do PSDB disse que, agora, a situação de Sarney precisa ser resolvida pelo Conselho de Ética. "Renan me disse que era um conciliador. Eu também sou um conciliador, mas acho que a conciliação deve ser feita no Conselho de Ética. Esse é o melhor caminho para o Senado resolver a crise que enfrenta", afirmou.
Segundo Guerra, a interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na crise política do Sendo gerou mal-estar e complicou a situação do presidente do Senado.
"O Senado já tinha resolvido a questão do presidente Sarney. O DEM, PT, PDT e PSDB já tinham defendido publicamente o afastamento do presidente do Senado. O governo não respeitou e a sustentação de Sarney foi feita pelo presidente e pela ministra. Houve uma ação política para instrumentalizar o Senado e manter unidade de forças na disputa eleitoral do ano que vem", disse.
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