terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sarney promete ajuda a sindicatos e indica não deixar cargo

Laryssa Borges
Direto de Brasília
Em uma demonstração de que não pretende deixar a presidência do Senado, ainda que em meio às denúncias que assolam a instituição, o senador José Sarney (PMDB-AP) prometeu nesta terça-feira "ajudar" as centrais sindicais a ver aprovada a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas.
"Esse é um assunto muito presente. No que eu puder ajudar, contem comigo. Chegando aqui vamos dar andamento normal (ao projeto)", afirmou Sarney a sindicalistas, sem comentar a sequência de denúncias formuladas contra ele, entre elas a de que estaria envolvido com atos administrativos não publicados, os chamados atos secretos, e com decisões de favorecimento de parentes e de um namorado de sua neta.
"Uma coisa são as denúncias, que têm que ser apuradas, mas o Congresso tem que cuidar da vida real. Não pode ficar só com denúncias, com ouvir depoimento daqui e dali. Precisamos não só ficar com a questão das denúncias, que interessam a uma parte. A sociedade quer uma coisa concreta", declarou o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP).
Defensor da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, Paulinho lembrou que a crise institucional por que passa o Senado poderá até servir para que a Casa aprove mais rapidamente o projeto. "A crise vai ajudar porque o Senado tem a obrigação de mostrar que está interessado com o interesse dos trabalhadores", avaliou.
Réu em um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de desvios de recursos públicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o parlamentar chegou a afirmar que o Congresso "pode ter" uma campanha de moralização para dar uma resposta mais efetiva para a sociedade. "(O Senado) pode até ter uma campanha (pela moralização da Casa)", disse.
Sarney é acusado de cometer irregularidades na administração do Senado, empregar pessoas ligadas à sua família e desviar dinheiro público por meio de uma fundação que leva o seu nome.
Na última semana, o PSDB protocolou três representações contra o senador no Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro parlamentar, o que aumentou ainda mais a pressão para que Sarney deixe o cargo. Outras duas ações foram apresentadas pelo Psol. Se levados adiante, os processos podem causar a cassação do mandato do presidente do Senado.
Redação Terra

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