quinta-feira, 2 de julho de 2009

Governo interino de Honduras desafia pressão e diz que não há nada a negociar

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, desafiou às crescentes pressões da comunidade internacional para o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya e afirmou que "não há nada a negociar". Micheletti ampliou ainda as restrições impostas durante o toque de recolher válido por 72 horas.
O presidente Manuel Zelaya foi deposto no domingo passado pelos militares, após enfrentar a Justiça e o Congresso para realizar um referendo sobre a reforma da Constituição --o que, segundo críticos, visava garantir a reeleição no país.
"Nada temos a negociar. As coisas estão se encaminhando", afirmou Micheletti à agência de notícias internacionais France Presse sobre um possível diálogo com a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a comunidade internacional, que condenaram a saída de Zelaya e exigiram seu retorno imediato à Presidência.
Micheletti afirmou ainda que Zelaya "nunca vai retornar ao poder".
"Se a comunidade internacional considera que cometemos algum erro, algum crime, que nos condene e pronto. Aqui é a autodeterminação do povo", disse Micheletti, que considera que 80% dos hondurenhos concordam com a saída de Zelaya.
"Vamos resolver nossos problemas como pudermos, mas este governo terá apenas seis meses. Quando elegermos nossas novas autoridades, eles [a comunidade internacional] terão a liberdade de abrir espaço para os novos governantes".
Micheletti afirmou ainda que no dia 29 de novembro haverá novas eleições gerais, como está previsto no calendário eleitoral, e que em 27 de janeiro entregará o poder ao novo presidente eleito.
Restrição
O Congresso de Honduras aprovou nesta quarta-feira a restrição "parcial" das garantias constitucionais, por 72 horas, acatando proposta do governo.
"A restrição autoriza a prisão de suspeitos por mais de 24 horas e suspende garantias como a liberdade de associação e de reunião, e o direito de livre circulação", revelou a deputada Doris Gutiérrez, do partido Unificação Democrática (esquerda).
Marcia Villeda, do Partido Liberal, destacou que a iniciativa apresentada pelo presidente interino "é basicamente uma restrição parcial, que estará vigente com o toque de recolher".
O gesto é visto por muitos como uma tentativa de conter os protestos favoráveis a Zelaya e ajudar a propagar a ideia de que o povo apoia o golpe de Estado no país.
Pressão
Todos os países da União Europeia (UE) com representação diplomática em Tegucigalpa convocaram para consultas os embaixadores em Honduras, anunciou o chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos.
"Esta decisão é um sinal claro da posição europeia, da comunidade internacional, e as autoridades provisórias terão que refletir", afirmou.
Nesta quarta-feira, o governo dos Estados Unidos suspendeu as atividades militares com as Forças Armadas de Honduras --embora tenha deixado para a próxima semana o anúncio de um eventual congelamento da ajuda a este país, o que significaria admitir que o governo não é legítimo.
Os principais organismos financeiros internacionais, como o Banco Mundial, também decidiram congelar os empréstimos ao país em consequência da destituição de Zelaya.

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