segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Retrato do dia

Postado por Cristiana Lôbo em 16 de agosto de 2009 Blog da Cristiana Lôbo, G1
Pesquisa DataFolha publicada neste domingo (Serra com 37%, Dilma 16%, Ciro 15% e Marina Silva 3%) mostra que está tudo parado. Serra se mantém na liderança e, no cenário de hoje, deverá disputar o segundo turno com Dilma Roussef, que já se firmou no segundo lugar.
Ciro Gomes está em empate técnico com Dilma, mas está claro que o presidente Lula quer tirá-lo dessa disputa. E, na primeira pesquisa em que seu nome foi apresentado, Marina Silva, que ainda não decidiu se vai ou não trocar de partido para disputar a eleição, aparece com 3% das intenções de voto - o que não é um resultado negativo, se se avaliar que ela não é conhecida nacionalmente e nem tem exposição suficiente para aparecer como candidada competitiva a esta altura do calendário, faltando pouco mais de um ano para a eleição.

A pesquisa deixa claro que a força que levou Dilma Roussef ao segundo lugar na preferência do eleitorado é exclusivamente do presidente Lula. Até agora, Dilma não consegue conquistar votos por seus atributos pessoais, mas, apenas pelas bênçãos de Lula, um presidente que tem popularidade bem alta e, sempre que pode, dá um jeito de dizer que vai eleger a sucessora.
Nesta pesquisa, Dilma aparece com o mesmo percentual de votos que teve na pesquisa de maio. Ou seja, neste período em que foi obrigada a se dedicar mais ao tratamento de saúde e, por isso, deixou de aparecer ao lado de Lula, Dilma parou de subir. Resta saber se Dilma bateu no teto - ou, se Lula esgotou sua capacidade de transferência de votos -; ou se voltar a percorrer o país ao lado do presidente ela retomará a curva de subida. Para especialistas que fazem pesquisas mensais, Dilma havia subido um pouco mais em junho, mas depois caiu ao mesmo patamar de maio. O que mostra que ela sobe na medida em que viaja pelos Estados levada a tiracolo pelo presidente Lula.

A presença forte na mídia ajuda qualquer candidato. Como só Dilma tem essa possibilidade sem infringir a lei claramente, a pesquisa mostra que todos estão estagnados. Serra com 37% teve oscilação negativa de 1% e Ciro Gomes também está estacionado no patamar de 15% (estava com 16% na última pesquisa). Marina Silva aparece na pesquisa em marca esperada - ninguém imaginava que ela pudesse chegar a dois dígitos logo de cara -, mas ela mostra que tem potencial para crescer, dependendo do tipo de campanha que fará - se é que vai decidir mesmo disputar o Palácio do Planalto. Para um especialista, Marina terá um tipo de campanha de crescer na chegada, e não na largada.
Embora a avaliação seja a de que ela poderá ocupar o espaço que foi de Ciro Gomes em 98 e de Heloísa Helena em 2006 - algo em torno de 10% a 12% dos votos.

Em suma, a pesquisa DataFolha é apenas um retrato de um cenário quase estático. E assim se reafirma o princípio básico do marketing político: em época tão distante da eleição, o candidato só cresce na pesquisa se estiver aparecendo ao eleitor.

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