Empresa de turismo nega a declaração das garotas.
Jacqueline morreu em voo após excursão à Disney.
Do G1, com informações do Fantástico
Do G1, com informações do Fantástico
A história de Jacqueline Ruas, a menina de 15 anos que morreu no voo para o Brasil depois de realizar o sonho de conhecer a Disney, foi tema do Fantástico de domingo (9). “Eu queria dizer que a minha filha era filha única, e que ela estava em perfeito estado de saúde”, diz a mãe de Jacqueline, Maria Aparecida Ruas.
A vida da adolescente poderia ter sido salva? Houve negligência no atendimento? Em entrevista exclusiva, os pais de Jacqueline pela primeira vez esclarecem pontos cruciais para entender a trágica sucessão de fatos. Eles dizem que jamais foram informados sobre a doença da filha. “Em nenhum momento foi falado pneumonia”, disse a mãe da jovem.
A equipe do Fantástico conversou também com três testemunhas dos últimos momentos da jovem dentro do avião: Laryssa, Fernanda e Carolina - a melhor amiga de Jacqueline. Todas estavam sentadas na fileira 21. Jacqueline ocupava o assento do corredor. Ao lado dela, Carolina. À esquerda, também no corredor, Laryssa. Fernanda, um pouco mais afastada, na janela. “Eu peguei a mão dela, não tinha pulsação, e mão dela estava bem gelada”, diz Laryssa Prata.
Orlando
Tudo começou no dia 19 de julho, quando Jacqueline embarcou para Orlando, nos Estados Unidos, num passeio organizado pela agência de turismo Tia Augusta. Com tanta coisa para fazer, o roteiro puxado muitas vezes terminava tarde da noite. Foi em um hotel temático, a poucos quilômetros da Disney, no quarto 7436, que Jacqueline passou os últimos dias de sua vida. É um ambiente colorido, feito sob medida para adolescentes em viagem de férias. Eram quatro meninas no quarto. Jacqueline dividia a cama do canto com Carolina. O clima era o melhor possível. As amigas conversavam muito, comentavam sobre a viagem. Jacqueline fez até uma festinha no aniversário de Carolina.
Até que começaram os problemas. Em uma mesma noite, as quatro passaram mal. Foram atendidas, medicadas, mas só Jacqueline não melhorava. A febre e a dor de garganta apareceram numa terça-feira, 28 de julho. Mas, coisa de adolescente, Jacqueline decidiu seguir no ritmo da excursão. Enfrentou a maratona dos parques. Quando foram todos às compras em um shopping, ela passou a maior parte do tempo sentada, de tanta fraqueza. “Ela dormia sentada, ela não conseguia deitar, porque a respiração dela piorava mais do que estava”, diz Fernanda Soares.
Nova gripe negativo
Jacqueline foi atendida pela segunda vez no hotel e logo depois levada ao pronto-socorro do hospital Celebration. Os médicos fizeram vários exames, inclusive para detectar nova gripe. Deu negativo e ela foi liberada às 6h. Era véspera da viagem de volta. A ficha do hospital mostra que a médica do plantão acrescentou apenas xarope à lista que já tinha o antigripal Tamiflu, e Azitromicina, um antibiótico.
Nova gripe negativo
Jacqueline foi atendida pela segunda vez no hotel e logo depois levada ao pronto-socorro do hospital Celebration. Os médicos fizeram vários exames, inclusive para detectar nova gripe. Deu negativo e ela foi liberada às 6h. Era véspera da viagem de volta. A ficha do hospital mostra que a médica do plantão acrescentou apenas xarope à lista que já tinha o antigripal Tamiflu, e Azitromicina, um antibiótico.
Mas havia uma recomendação clara: continuar o tratamento com um médico. Em caso de piora, voltar imediatamente ao pronto-socorro. O Fantástico telefonou, foi ao hospital, mas recebeu a informação de que por lei são proibidos de falar sobre pacientes.
A volta ao Brasil foi no sábado, 1° de agosto, no voo 759 da Copa Airlines. Segundo as amigas, Jacqueline estava "debilitada, super debilitada". Na troca de avião, no Panamá, precisou de cadeira de rodas. ”Ela ficou dormindo numa cadeira do saguão, de duas horas e meia pra três horas. Não se providenciou nenhum médico pra dar uma olhada nela”, disse Fernanda.
Na segunda parte do voo, Jacqueline mal abriu os olhos. Segundo amigas, ela chegou a ser acordada, deu uma única garfada na refeição, e dormiu outra vez, para nunca mais acordar.
Pouco antes do pouso, em São Paulo, foi Laryssa quem descobriu o pior. Jacqueline não respirava. “Eu coloquei a mão no coração dela e também não tinha batimento. Comecei a gritar por socorro. Foi quando vieram os médicos e tentaram ressuscitar ela, no corredor mesmo do avião”, Laryssa.
No Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, os pais e um tio de Jacqueline esperavam por ela. Mas a menina não aparecia. Até que o telefone tocou. Era um funcionário da empresa aérea, pedindo que eles fossem ao escritório, no primeiro andar. Foi lá que receberam a notícia.
Pneumonia
Entre os últimos dias de passeio e o voo de volta ao Brasil, muita coisa não está clara. Afinal, os pais de Jacqueline sabiam da gravidade da doença da filha? O diretor da Tia Augusta disse que eles foram avisados da suspeita de pneumonia.
Pneumonia
Entre os últimos dias de passeio e o voo de volta ao Brasil, muita coisa não está clara. Afinal, os pais de Jacqueline sabiam da gravidade da doença da filha? O diretor da Tia Augusta disse que eles foram avisados da suspeita de pneumonia.
"A guia nos afirma que informou à família 'fiquem tranquilos que não tem o H1N1 e há, segundo o hospital, um princípio de pneumonia. Ela pode seguir viagem tranquilamente'.", diz o diretor-executivo da agência Tia Augusta Filipe Fortunato. Mas, segundo os pais, uma funcionária da agência só ligou três dias depois dos primeiros sintomas e contou que Jacqueline tinha apenas uma gripe forte, como outros 15 adolescentes do grupo.
“Em momento algum foi relatado pneumonia”, diz Maria Aparecida Ruas. O documento em que o hospital da Flórida registra a alta de Jacqueline não informa se ela poderia viajar de avião. “Foi uma surpresa para nós ela ter sido liberada doente do hospital, ter embarcado doente, e ter trocado de avião numa cadeira de rodas, doente”, diz Danilo Ruas, pai de Jacqueline.
Maquiagem
Fernanda e Laryssa contam que, quando estavam deixando o hotel pra ir ao aeroporto, receberam da guia Gisele dos Santos uma orientação inesperada. “Ela pedia para a gente se maquiar, para parecer bem para entrar no avião”, disse Fernanda. “Para que não estejamos com cara de abatida, para que não sejamos barradas lá”, disse Laryssa. “Ela pediu para todos”, complementa Fernanda. Para Jacqueline, outra recomendação da guia. “Ela pediu para colocar o óculos escuros, para ela não ser barrada no avião. Ela estava com olho fundo, ela estava com olheira. Nossa, ela parecia muito ruim”, disse Fernanda.
Maquiagem
Fernanda e Laryssa contam que, quando estavam deixando o hotel pra ir ao aeroporto, receberam da guia Gisele dos Santos uma orientação inesperada. “Ela pedia para a gente se maquiar, para parecer bem para entrar no avião”, disse Fernanda. “Para que não estejamos com cara de abatida, para que não sejamos barradas lá”, disse Laryssa. “Ela pediu para todos”, complementa Fernanda. Para Jacqueline, outra recomendação da guia. “Ela pediu para colocar o óculos escuros, para ela não ser barrada no avião. Ela estava com olho fundo, ela estava com olheira. Nossa, ela parecia muito ruim”, disse Fernanda.
O Sindicato dos Aeronautas afirma que isso pode ter impedido que Jacqueline fosse atendida corretamente. Em nota, a agência Tia Augusta nega tudo: "Não é verdade a história sobre uso de maquiagem ou de óculos escuros antes do embarque.", diz a resposta, acrescentando que é do interesse da empresa o esclarecimento dos fatos.
O atestado de óbito indica que Jacqueline morreu de infecção generalizada decorrente de uma broncopneumonia. O especialista Carlos Roberto de Carvalho explica que a viagem de 13 horas pode ter agravado a doença. Dentro de um avião, a pressão interna é mais baixa do que em solo numa cidade como São Paulo, por exemplo. Circula menos oxigênio no sangue e nos pulmões, o que pode dificultar a respiração de uma pessoa debilitada. "Se for possível não viajar na vigência de uma doença respiratória, a recomendação é que não se viaje", diz o pneumologista Carlos Roberto de Carvalho.
“A gente podia contar sempre com ela, para tudo”, disse Carolina. Na carta que a amiga Carolina ganhou de presente de aniversário, em Orlando, o carinho de Jacqueline: "Eu te amo muito, muito mesmo", ela escreveu.
Para sempre
No sábado (9), na missa de sétimo dia, Carolina segurava um cordão. Era um presente que ela e Jacqueline compraram na Disney, com três pingentes que formam um lema: "best friends forever" - "melhores amigas para sempre". O primeiro ficou com a amiga Paula: "best". O segundo, com Carol. "friends". E a Jacque com "forever". Para sempre.
Para sempre
No sábado (9), na missa de sétimo dia, Carolina segurava um cordão. Era um presente que ela e Jacqueline compraram na Disney, com três pingentes que formam um lema: "best friends forever" - "melhores amigas para sempre". O primeiro ficou com a amiga Paula: "best". O segundo, com Carol. "friends". E a Jacque com "forever". Para sempre.
“A gente quer uma providência, quer a responsabilidade. A gente quer Justiça”, disse Magda Santos, tia de Jacqueline. “Isso era um sonho para ela, essa viagem. A gente ama, sempre amou a nossa filha, e sempre vai amar, para sempre. Eu não tenho mais nada pra falar, só isso”, finaliza a mãe da adolescente, Maria Aparecida Ruas.
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