terça-feira, 23 de junho de 2009

ENGENHO CENTRAL VAI TER TEATRO PARA 600 PESSOAS.

Engenho Central, um dos principais cartões-postais de Piracicaba, abrigará um teatro com capacidade para 600 pessoas. A licitação da obra sairá até o final do ano. A expectativa da prefeitura é inaugurar o empreendimento em 2010 a um custo de R$ 5 milhões. O teatro será construído no galpão 6, prédio com 2.687 metros quadrados de área disponível, localizado em frente ao armazém 14 ­ imóvel que abriga as exposições do Salão Internacional do Humor. Para executar o projeto, que incluirá o restauro do galpão, um dos mais deteriorados do Engenho, a Administração Municipal buscará recursos junto à iniciativa privada por meio de leis de incentivo fiscal. "O objetivo é financiar todo o custo, mas se necessário a prefeitura entrará com uma parte", afirmou o prefeito Barjas Negri (PSDB). Somente a elaboração do projeto executivo custará R$ 410 mil. O Ipplap (Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba) já contratou a empresa Brasil Arquitetura Ltda. para o serviço. A empresa é do arquiteto Marcelo Carvalho Ferraz, o mesmo que em 2004 produziu um estudo preliminar sobre a ocupação do Engenho. Na época, o profissional recebeu cerca de R$ 180 mil pelo trabalho, feito sob encomenda do ex-prefeito José Machado (PT). "Agora, o detalhamento é mais específico, muito maior, que vai desde o diagnóstico do atual estado da construção até os projetos das redes elétrica e hidráulica e os estudos de acústica", disse o presidente da autarquia, João Chaddad. O projeto pronto deve ser entregue em 60 dias. A partir daí, a proposta será submetida ao Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural), uma vez que o complexo do Engenho é tombado pelo município. Apenas depois do aval do conselho é que as obras ­ que devem se estender por 12 meses ­ poderão começar. O local de espetáculos terá tamanho semelhante ao do Teatro Municipal Doutor Losso Netto, que acomoda 674 pessoas. A platéia do teatro do engenho terá dois pavimentos, além de camarote. A parte de trás do palco será retrátil, permitindo o funcionamento de uma espécie de arena no lado de fora do imóvel. "A idéia não é concorrer com o Teatro Municipal, mas sim ter mais uma opção para apresentações teatrais, de dança, concertos e projeção de filmes. Demanda existe", relatou Barjas. De acordo com o prefeito, já foram realizados contatos com empresas para a obtenção de financiamento. Entre as possibilidades estão a Lei Rouanet, que confere remissão do Imposto de Renda, e a legislação estadual que garante descontos no ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) a recolher pela empresa doadora. "Vamos publicar em breve um edital público em busca de patrocínio. Com o projeto executivo em mãos, teremos melhores condições de ir atrás dos recursos necessários, a exemplo do que ocorreu com o projeto Beira-Rio e a Petrobrás", considerou o tucano, para quem Piracicaba "necessita de um novo empreendimento cultural de grande porte". Mateus Medeiros/ JP Galpão 6 deve ser restaurado com recursos da iniciativa privada, por meio de leis de incentivo fiscal
Complexo está sendo pago pela prefeitura

Inaugurado em 1881 e desati vado em 1974, o Engenho Central se tornou propriedade efetiva do município apenas no ano passado, quando um acordo entre a prefeitura e família dona da área colocou um ponto final em uma discussão jurídica de mais de 25 anos. Nas últimas duas décadas, a Administração ocupou os galpões do centenário complexo sem deter a posse oficial do imóvel. Em 2008, o município se dispôs a pagar R$ 22,5 milhões de indenização pela desapropriação da área e o impasse acabou. Até agora, o Executivo já quitou duas parcelas do acordo, totalizando R$ 9 milhões. Os R$ 13,5 milhões restantes serão pagos em três parcelas anuais de R$ 4,5 milhões. "O Engenho pertence à municipalidade, o que permite a realização de investimentos com segurança", avaliou o prefeito Barjas Negri. O galpão seis, que abrigará o teatro, será o terceiro prédio a passar por restauro ou adaptação nos últimos quatro anos. O primeiro a receber melhorias foi o armazém 14, local de exposição do Salão do Humor, onde as obras terminaram em 2008 a um custo de R$ 600 mil. Em breve, deve começar a reforma do galpão 14 A, localizado nas proximidades da entrada da passarela pênsil. A intervenção transformará o espaço, de 465 metros quadrados, em uma espécie de recepção do complexo histórico e arquitetônico. Também funcionará no local o setor administrativo do Parque do Engenho Central, que atualmente divide espaço com a sede da Secretaria Municipal da Ação Cultural. O custo do projeto chega a R$ 530 mil. Em entrevista ao JP, Barjas destacou que, antes de iniciar os projetos de restauro dos armazéns, a prefeitura buscou garantir a infra-estrutura do Engenho. "Fizemos a `urbanização' do Engenho. Colocamos piso em boa parte da área que recebe visitantes e instalamos redes de água, esgoto, energia e telefonia. Um investimento superior a R$ 1 milhão e que terá continuidade", disse o tucano. O Engenho já se tornou referência para a realização de grandes eventos, como a Festa das Nações e o Simtec (Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira). "Com todo o projeto de revitalização, os participantes dos eventos, visitantes e turistas terão ainda mais motivos para apreciarem o Engenho", disse João Chaddad. CULTURA Por LEANDRO CARDOSO, Jornal de Piracicaba

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