Engenho Central, um dos principais cartões-postais de Piracicaba, abrigará um teatro com capacidade para 600 pessoas. A licitação da obra sairá até o final do ano. A expectativa da prefeitura é inaugurar o empreendimento em 2010 a um custo de R$ 5 milhões. O teatro será construído no galpão 6, prédio com 2.687 metros quadrados de área disponível, localizado em frente ao armazém 14 imóvel que abriga as exposições do Salão Internacional do Humor. Para executar o projeto, que incluirá o restauro do galpão, um dos mais deteriorados do Engenho, a Administração Municipal buscará recursos junto à iniciativa privada por meio de leis de incentivo fiscal. "O objetivo é financiar todo o custo, mas se necessário a prefeitura entrará com uma parte", afirmou o prefeito Barjas Negri (PSDB). Somente a elaboração do projeto executivo custará R$ 410 mil. O Ipplap (Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba) já contratou a empresa Brasil Arquitetura Ltda. para o serviço. A empresa é do arquiteto Marcelo Carvalho Ferraz, o mesmo que em 2004 produziu um estudo preliminar sobre a ocupação do Engenho. Na época, o profissional recebeu cerca de R$ 180 mil pelo trabalho, feito sob encomenda do ex-prefeito José Machado (PT). "Agora, o detalhamento é mais específico, muito maior, que vai desde o diagnóstico do atual estado da construção até os projetos das redes elétrica e hidráulica e os estudos de acústica", disse o presidente da autarquia, João Chaddad. O projeto pronto deve ser entregue em 60 dias. A partir daí, a proposta será submetida ao Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural), uma vez que o complexo do Engenho é tombado pelo município. Apenas depois do aval do conselho é que as obras que devem se estender por 12 meses poderão começar. O local de espetáculos terá tamanho semelhante ao do Teatro Municipal Doutor Losso Netto, que acomoda 674 pessoas. A platéia do teatro do engenho terá dois pavimentos, além de camarote. A parte de trás do palco será retrátil, permitindo o funcionamento de uma espécie de arena no lado de fora do imóvel. "A idéia não é concorrer com o Teatro Municipal, mas sim ter mais uma opção para apresentações teatrais, de dança, concertos e projeção de filmes. Demanda existe", relatou Barjas. De acordo com o prefeito, já foram realizados contatos com empresas para a obtenção de financiamento. Entre as possibilidades estão a Lei Rouanet, que confere remissão do Imposto de Renda, e a legislação estadual que garante descontos no ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) a recolher pela empresa doadora. "Vamos publicar em breve um edital público em busca de patrocínio. Com o projeto executivo em mãos, teremos melhores condições de ir atrás dos recursos necessários, a exemplo do que ocorreu com o projeto Beira-Rio e a Petrobrás", considerou o tucano, para quem Piracicaba "necessita de um novo empreendimento cultural de grande porte". Mateus Medeiros/ JP Galpão 6 deve ser restaurado com recursos da iniciativa privada, por meio de leis de incentivo fiscal
Complexo está sendo pago pela prefeitura
Inaugurado em 1881 e desati vado em 1974, o Engenho Central se tornou propriedade efetiva do município apenas no ano passado, quando um acordo entre a prefeitura e família dona da área colocou um ponto final em uma discussão jurídica de mais de 25 anos. Nas últimas duas décadas, a Administração ocupou os galpões do centenário complexo sem deter a posse oficial do imóvel. Em 2008, o município se dispôs a pagar R$ 22,5 milhões de indenização pela desapropriação da área e o impasse acabou. Até agora, o Executivo já quitou duas parcelas do acordo, totalizando R$ 9 milhões. Os R$ 13,5 milhões restantes serão pagos em três parcelas anuais de R$ 4,5 milhões. "O Engenho pertence à municipalidade, o que permite a realização de investimentos com segurança", avaliou o prefeito Barjas Negri. O galpão seis, que abrigará o teatro, será o terceiro prédio a passar por restauro ou adaptação nos últimos quatro anos. O primeiro a receber melhorias foi o armazém 14, local de exposição do Salão do Humor, onde as obras terminaram em 2008 a um custo de R$ 600 mil. Em breve, deve começar a reforma do galpão 14 A, localizado nas proximidades da entrada da passarela pênsil. A intervenção transformará o espaço, de 465 metros quadrados, em uma espécie de recepção do complexo histórico e arquitetônico. Também funcionará no local o setor administrativo do Parque do Engenho Central, que atualmente divide espaço com a sede da Secretaria Municipal da Ação Cultural. O custo do projeto chega a R$ 530 mil. Em entrevista ao JP, Barjas destacou que, antes de iniciar os projetos de restauro dos armazéns, a prefeitura buscou garantir a infra-estrutura do Engenho. "Fizemos a `urbanização' do Engenho. Colocamos piso em boa parte da área que recebe visitantes e instalamos redes de água, esgoto, energia e telefonia. Um investimento superior a R$ 1 milhão e que terá continuidade", disse o tucano. O Engenho já se tornou referência para a realização de grandes eventos, como a Festa das Nações e o Simtec (Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira). "Com todo o projeto de revitalização, os participantes dos eventos, visitantes e turistas terão ainda mais motivos para apreciarem o Engenho", disse João Chaddad. CULTURA Por LEANDRO CARDOSO, Jornal de Piracicaba
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