sexta-feira, 26 de junho de 2009

MENOS VIAGENS

Parece que a ficha caiu e que a Mesa-Diretora da Câmara de Vereadores de Piracicaba decidiu diminuir a quantidade de viagens com os carros oficiais e diárias pagas a parlamentares, assessores e funcionários.
A mudança, anunciada ontem pelo presidente do Legislativo, José Aparecido Longatto (PSDB), pode ser classificada como politicamente correta. A notícia, é quase certo, será bem recebida pela comunidade.
Afinal, foi expressiva a repercussão da matéria publicada no Jornal de Piracicaba do dia 12 de junho, escrita pelo jornalista Araripe Castilho, que teve o cuidado de fazer um levantamento sobre viagens de parlamentares e seus destinos.
Os dados encontrados no levantamento foram, no mínimo, curiosos. Em cinco meses, vereadores acumularam 90 dias em viagens. De 10 de janeiro a 31 de maio de 2009, 15 vereadores de Piracicaba gastaram 2.183 horas em viagens, o que equivale a 60% do tempo total transcorrido. Foram feitos 261 deslocamentos, média de dois por dia.
Para chegar a 52 destinos diferentes, os carros oficiais percorreram 58.998 quilômetros, distância suficiente para dar uma volta e meia no planeta. Os cálculos publicados pelo JP foram feitos com base nos relatórios divulgados no site da Câmara de Vereadores.
E o acesso a eles foi garantido pela resolução 11/1999, que prevê a exposição dos gastos por gabinetes e setores do Legislativo, além de dados sobre o uso dos carros oficiais. De acordo com o anúncio feito por Longatto, gabinetes parlamentares e departamentos da Câmara farão um esforço conjunto para reduzir os gastos com as viagens.
O presidente do Legislativo chegou a mencionar que proibiria o uso dos carros oficiais aos finais de semana e feriados, mas mudou de idéia e resolveu deixar este tipo de decisão a cargo dos vereadores.
A ajuda de custo recebida pelos vereadores, assessores e funcionários varia conforme o cargo do viajante, a distância percorrida ou se o deslocamento "exigiu" pernoite, segundo matéria presente nesta edição. Ao propor uma espécie de regulamentação das viagens e diárias, o presidente do Legislativo ­­ cujo gabinete foi o que mais usou carros oficiais em viagens ­­ também fez paralelo com o período de crise e disse que se a Prefeitura de Piracicaba pode economizar, a Câmara também pode.
Menos mal. Viagens são boas, ampliam horizontes, podem até ser feitas com justificativas plausíveis. Mas estar onde o povo está é premente, prioridade em uma cidade como Piracicaba, que cresce e assimila problemas de toda a ordem. O melhor é que os vereadores fiquem perto do eleitorado, ouçam seus pleitos, trabalhem pela comunidade e reservem viagens para suas férias, não com os carros oficiais. Artigo do Jornal de Piracicaba.

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