quinta-feira, 4 de junho de 2009

Falta de esperança marca ato em homenagem a vítimas de Airbus

Daniel Gonçalves e Anderson Ramos
Direto do Rio de Janeiro
O ato ecumênico em homenagem aos passageiros e tripulantes do vôo 447, da Air France, realizado na Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, teve seu início marcado pela falta de esperança de familiares e autoridades em encontrar sobreviventes da tragédia.
Amigo da passageira Adriana Henriques, Lauro Chaves admitiu que os parentes já não trazem muita expectativa. "Eu não tenho mais esperança, estamos num momento de tristeza na família e acompanhando o desenrolar das investigações", afirmou ao chegar à cerimônia.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse que este "é um momento de reflexão, mas é também um momento de parar para orar pelas vítimas".
A prima do maestro Silvio Barbato, Ana Claudia Danaccosi leu um poema que fez em sua homenagem. "A dor é muito grande, ele proporcionou o melhor para mim. Muitas pessoas não conheceram a nobreza daquela alma. Cada um que estava lá (no vôo) era uma estrela", disse.
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, cobrou explicações imediatas da companhia aérea e da fabricante do avião sobre os motivos que levaram ao acidente. "A companhia aérea e a fabricante têm muito que explicar, porque um acidente desse porte não acontece se não for por motivos técnicos", afirmou.
Cabral compartilhou do sofrimento de parentes e amigos das vitimas mas ressaltou que o avião o melhor meio de transporte que existe. Ele questionou como uma aeronave com cinco anos de uso teve um problema dessa magnitude.
Um pároco da igreja da candelária, o padre Elia Volf, recebeu os parentes, alguns chorando muito. "Esse não é um ato ecumênico, mas sim um ato religioso, pois cada religião faz a sua parte independe das outras."
Em solidariedade às famílias participam do ato o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chanceler francês Bernard Kouchner, além de outras autoridades do Brasil e da França.
O acidenteO Airbus A330 saiu do Rio de Janeiro no domingo (31), às 19h (horário de Brasília), e deveria chegar ao aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília).
De acordo com nota divulgada pela FAB, às 22h33 (horário de Brasília) o vôo fez o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III). O comandante informou que, às 23h20, ingressaria no espaço aéreo de Dakar, no Senegal.
Às 22h48 (horário de Brasília) a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta, segundo a FAB. Antes disso, no entanto, a aeronave voava normalmente a 35 mil pés (11 km) de altitude.
A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). A equipe de resgate da FAB foi acionada às 2h30 (horário de Brasília).
Redação Terra

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