terça-feira, 16 de junho de 2009

O Leite nosso de cada dia.

Editorial Jornal de Piracicaba
Dependentes que somos das leis de mercado, regidas pelas premissas de oferta e procura, nos deparamos agora com mais um aumento, desta vez do leite. Mas se em períodos de entressafra as altas da maioria dos produtos são comuns, para compensar a redução na produção, no caso do leite existe bem pouco a fazer. Sim, porque se temos alta no tomate, podemos comer alface. E se temos aumento no preço da carne bovina, podemos trocar por frango ou ovos. Mas o leite tem outro tipo de status alimentar. A começar do fato de alimentar crianças, de todas as idades, especialmente as mais novinhas, que já não são mais amamentadas e dependem de alimento tão rico. Entre as crianças também estão as que passam o dia nas creches. E também idosos, que precisam de aporte maior de cálcio. Nos supermercados, em dois meses, o preço do leite longa-vida UHT (Ultra High Temperature), o que vem embalado em caixinhas longa-vida, sofreu aumento aproximado de 25%, passando de R$ 1,90 para R$ 2,40, na média. Com a chegada do período de entressafra, o leite costuma apresentar elevação por causa das baixas temperaturas e da escassez de pastagem, que fica seca. Na matéria publicada hoje pelo matutino, dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) apontam que o preço médio bruto do leite pago ao produtor em maio foi de R$ 0,6625/litro, o que representou aumento de 5,86%, ou R$ 0,37 por litro em relação ao pagamento anterior. O mesmo centro informa que a valorização significativa do leite UHT começa a incomodar os consumidores, que podem passar a buscar substitutos como o leite em pó, que comparativamente está mais competitivo. Se para alguns a solução é mudar, para muitos é reduzir a compra ou abandonála de vez. Produtores brasileiros atribuem ao menor volume de leite captado pelas empresas nos últimos meses ­ por causa da entressafra ­ o principal motivo para os atuais reajustes. Eles também afirmam que quem mais ganha com os novos preços é o varejo, mas admitem que todos os envolvidos na produção e comercialização do leite aproveitaram esta época do ano para recuperar perdas. Como a produção tende a persistir em queda ainda este mês e em julho, pouco poderá ser feito. O leite que aquece as noites de Inverno ainda vai estar salgado. Tomara que a entressafra acabe logo.

Nenhum comentário: