sexta-feira, 5 de junho de 2009

'Potencial violento' de dissidência da torcida do Corinthians alerta polícia

Luiz Gabriel RibeiroEm São Paulo
Envolvida diretamente na confusão entre torcedores após a partida entre Corinthians e Vasco - disputada na última quarta-feira e válida pelas semifinais da Copa do Brasil - a torcida Rua São Jorge está sendo monitorada de perto pela polícia. Dissidência da Gaviões da Fiel, os membros da organizada são considerados extremamente violentos pelas polícias Militar e Civil. Pelo 'potencial' que têm, eles já são apontados como principais alvos dos responsáveis pela segurança nos estádios.
O alerta, no entanto, não foi capaz de evitar mais um episódio de violência em jogos de futebol. Armados com pedras, pedaços de ferro e madeira, a torcida Rua São Jorge armou uma emboscada na marginal Tietê, segundo investigações preliminares da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), para brigar com torcedores da equipe visitante após o empate em 0 a 0 entre Corinthians e Vasco.
O confronto entre as torcidas organizadas terminou com a morte de um corintiano, sete pessoas feridas, prisão de outras 32 e um ônibus incendiado. "Eles [membros da torcida Rua São Jorge] demonstram um grau de violência muito grande. Se empenham para praticar atos violentos e se caracterizam por colocar a briga em primeiro lugar. O futebol não interessa para eles", sentencia Margarette Barreto, delegada da Decradi.
Desde o ano passado, integrantes da torcida entoam cânticos que pregam a volta da violência aos estádios.Segundo dados levantados pela Polícia Civil, a torcida Rua São Jorge não é regulamentada, mas conta com cerca de 800 integrantes e se separou da Gaviões da Fiel após "desentendimentos ideológicos". Possui liderança organizada e aluga uma casa que é utilizada como sede. Também há indícios que esses torcedores se comunicam através da internet e foram responsáveis por brigas no metrô de São Paulo e ataques a ônibus que transportavam outras torcidas. Em 2007, antes do jogo entre São Paulo e Corinthians, válido pelo primeiro turno do Brasileirão, as torcidas organizadas das duas equipes protagonizaram um confronto violento na zona Leste da cidade.
De acordo com o subcomandante da Polícia Militar, José Balestiero Filho, a torcida Rua São Jorge é investigada de perto. "Essa torcida já é monitorada há um bom tempo. Eles têm registro na PM e se comportam de uma maneira extremamente violenta".No confronto com a torcida vascaína, a Polícia Militar fala em indícios fortes de que os membros da organizada do Corinthians tinham intenção de brigar com os vascaínos, integrantes da Força Jovem do Vasco. "Existem sinais de que foi um ato planejado, porque foram encontrados diversos objetos que caracterizam interesse em atacar a torcida rival", explica Balestiero Filho.
Além de grupos que comandam a violência, a torcida Gaviões da Rua São Jorge conta com veículos que fazem 'escolta' em casos de briga generalizada, segundo Margarette. "Existem carros que passam pelos olhos da polícia sem chamar atenção. Mas neles também estão integrantes preparados para a briga", assinala a delegada, responsável pela investigação dos responsáveis pela morte de Clayton Ferreira de Souza, que foi espancado e esfaqueado em uma área próxima ao local do confronto. O torcedor foi identificado apenas na quinta-feira.
Questionada sobre a hipótese de jogos com torcida única, em que apenas os torcedores do clube mandante entram no estádio, Margarette defende que este não será o fim definitivo de casos de violência no futebol. "Todos os agentes que lidam com o futebol devem se reunir para procurar soluções e planos a médio e longo prazo. Decisões no calor do momento geralmente não são indicadas. Temos que aprofundar a discussão, e o futebol deve ser repensado como um todo", encerra. Portal UOL.

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