Marina Mello
Direto de Brasília
Depois de um discurso acalorado feito pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para se defender das denúncias de irregularidades na Casa, a opinião da maioria dos líderes partidários, de senadores da base aliada e da oposição é de que a fala dele deixou a desejar pelo fato de não ter sido apresentada nenhuma medida efetiva para conter os supostos abusos.
Em pronunciamento realizado nesta terça-feira, Sarney comentou os escândalos no Senado após ter assumido a presidência da Casa. Ele negou envolvimento em irregularidades, afirmando que desconhece a prática de atos secretos para contratar servidores. "A crise do Senado não é minha, a crise é do Senado. É essa instituição que devemos preservar, ninguém tem mais interesse nisso do que eu", afirmou.
Nesta terça-feira, o Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) informou que vai investigar a legalidade de centenas de decisões sigilosas tomadas por diretores do Senado nos últimos dez anos. Recentemente, o presidente da Casa foi envolvido em denúncias de que parentes dele teriam sido contratados por meio de atos administrativos que não constam em boletins do Senado. Sarney disse que se houve realmente esse tipo de irregularidade, os responsáveis serão punidos. Ele listou também uma série de medidas tomadas após os escândalos.
Para o líder do PSB, Renato Casagrande (ES), Sarney deveria ter sido mais claro e ter dito o que pretende fazer para moralizar a Casa, que está em crise por causa de seguidas denúncias. O líder negou que relacione a crise mais a Sarney do que ao próprio Senado, mas ponderou que, por ser o presidente, é ele quem deve "mostrar a cara" nesse momento. "Foi insuficiente, faltaram medidas efetivas", disse. "O presidente tem que compreender que ele é a foto oficial do Senado", completou.
Para o líder do PT no Senado, Aloizio Mercante (SP), as medidas tem que se voltar para a tentativa de dar transparência às ações do Senado. "(O discurso) foi importante para prestar contas do que está acontecendo. Agora, é importante apresentar as medidas administrativas para mostrar e recuperar a transparência. Vamos esperar as medidas", disse.
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também defendeu que a Casa adote uma postura a fim de encerrar a crise. "Nesse momento, a defesa não resolve, temos que ter ação", disse.
Já o líder do DEM, José Agripino Maia (RN), defende uma grande reforma na estrutura do Senado. "Temos que preservar a instituição. É preciso fazer uma reforma dura na estrutura da Casa e diminuir ao máximo o número de servidores terceirizados e revisar todos os contratos terceirizados que estão firmados", disse.
Redação Terra
Nenhum comentário:
Postar um comentário