da Folha de S.Paulo
da Folha Online
O advogado de Hildebrando Pascoal, Sanderson Moura, anunciou que vai recorrer ao TJ (Tribunal de Justiça) do Acre para tentar anular o julgamento que condenou seu cliente a 18 anos de prisão e reduzir a pena.
Hildebrando, ex-deputado e coronel reformado da Polícia Militar, foi a júri popular ontem pelo crime da motosserra, um dos mais bárbaros assassinatos da década de 90.
Para a maioria dos sete jurados que formaram o conselho de sentença, ele é o responsável pela morte do mecânico Agilson Santos Firmino, o "Baiano", com tiros na cabeça após sessão de tortura.
Um primo de Hildebrando e um ex-policial do Acre, também acusados do crime, foram absolvidos pelo júri popular. Falta julgar duas pessoas, uma delas um irmão de Hildebrando, o que deve ocorrer na semana que vem.
O Ministério Público Estadual pediu pena máxima de 30 anos de prisão para o ex-deputado. Além disso, pediu que Hildebrando pagasse R$ 500 mil para a família do mecânico, o que foi rejeitado pelo júri.
Em seu depoimento durante o julgamento, Hildebrando disse que o culpado pela sessão de tortura e assassinato do mecânico, em 3 de julho de 1996, foi o ex-vereador Alípio Ferreira, que já morreu.
O ex-deputado afirmou que não conhecia Baiano e disse ser vítima de uma armação por parte de seus adversários. "Sou vítima das mais sórdidas e mentirosas campanhas na história deste país."
Hildebrando ainda atacou o Ministério Público ao dizer que as provas contra ele foram forjadas. Ele disse que a arma do crime não foi uma motosserra, e sim um facão.
Segundo a denúncia, ainda vivo, o mecânico teve os olhos perfurados, braços, pernas e pênis amputados com a utilização de uma motosserra, além de um prego cravado na testa. Em seguida, os réus atiraram contra a cabeça do mecânico. A suspeita é que Hildebrando tenha efetuado os disparos.
O que sobrou do corpo de Baiano foi jogado em uma hoje movimentada avenida de Rio Branco. O filho de Baiano, de 13 anos, também foi morto.
Hildebrando tem uma lista de crimes e condenações tão extensa quanto o número de vítimas executadas pelo esquadrão da morte que liderou. Mesmo preso, já condenado a mais de 80 anos de prisão por dois homicídios, tráfico internacional de drogas, formação de quadrilha e crimes eleitorais (trocava cocaína por votos) e financeiros, ele ainda assusta os moradores do Estado.
Quatro testemunhas do crime da motosserra foram assassinadas --Hildebrando foi condenado por duas dessas mortes.
Com a condenação de ontem, são mais de cem anos de pena. Ele já havia sido condenado por outros dois homicídios, tráfico internacional de drogas, formação de quadrilha e crimes eleitorais (trocava cocaína por votos) e financeiros.
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