quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Lula solta fogos: 2010 não terá candidato de direita

Em discurso feito no aniversário de 45 anos do Ipea, Lula festejou: “Pela primeira vez, nós não vamos ter um candidato de direita na campanha”.

Perguntou à platéia: “Não é fantástico isso?” Prosseguiu: “Antigamente, como é que era a campanha?...”

“...Era o de centro esquerda ou de esquerda contra os trogloditas de direita. Era assim toda campanha...”

“...Começou a melhorar já comigo e o Fernando Henrique Cardoso. Já foi um nível elevado. Depois eu e Serra também...”

“...Depois veio o Alckmin e baixou o nível. Por conta dele, não por minha conta”.

A análise política de Lula, por rasa, é poça que uma formiguinha atravessa com água pela canela.

A direita está aí, viva, vivíssima. A esquerda é que, ao notar que sua ideologia envelhecera, trocou por outra, em alta no mercado.

Tome-se o caso de Lula. Era, até 2002, a principal evidência de que a política brasileira não estava aí para prestar homenagens à racionalidade.

Num país em que os excluídos são maioria, só mesmo a ilógica explicava que Lula pudesse ser derrotado por gente com o berço de Collor e o “pê aga dê” de FHC.

Lula provara, em três oportunidades, que a exclusão social brasileira não estava disposta a votar em si mesma. Nem para testar.

O petismo era um aglomerado condenado à sinuca eleitoral. Era Lula contra os donos da mesa. À menor ameaça, a direita recolhia os tacos.

Súbito, Lula amoldou o discurso. Surgiu a grande novidade: cansado do papel de bicho-papão, o velho sindicalista aparou a barba e vestiu Armani.

Recorreu a um figurino ideológico parecido com aquele que fizera um sociólogo de esquerda desaparer misteriosamente nos idos de 1994.

Lula surrou o tucanato no instante em que ficou parecido com FHC. Trocou o socialismo pelo mercado. Prometeu respeitar os contratos.

A social-democratização do PT diluiu a idéia de que o poder era uma festa black-tie para a qual Lula ainda não se credenciara adequadamente.

No essencial, o conservadorismo continuou dando as cartas. Apenas terceirizou a gerência do Palácio do Planalto.

A direita passou a exercer o poder delegando tarefas. Sob o terceirizado FHC, mandava ACM. Sob o terceirizado Lula, desmanda Sarney.

Para 2010, a direira recorreu à diversificação de investimentos. O PMDB Aplicou um Quércia na apólice Serra e um Temer em Dilma. O ex-PFL joga todas as fichas em Serra.

Seja qual for o resultado, o Planalto de fachada vagamente esquerdista continuará rendendo, a partir de 2011, ótimos negócios à direita.
Escrito por Josias de Souza, Blog do Josias, UOL.

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