sábado, 13 de junho de 2009

A Arte e a Crise

Um Artigo do Jornal de Piracicaba
Quando ocorre uma crise econômica como a que o mundo vi vencia desde o ano passado, o mercado de arte é um dos mais afetados porque não se trata de um produto de primeira necessidade, é considerado supérfluo e, por esse motivo, pára de vender antes dos outros. Neste final de semana, as principais galerias de arte do mundo estão passando no teste da crise ao participar da maior feira de arte contemporânea do planeta, a Art Basel, na Basiléia, Suíça, que inaugurou a sua 40ª edição na última quarta-feira. A feira irá até amanhã. Os galeristas participantes ficaram surpresos ao vender muito mais obras do que esperavam. Alguns, que levaram menos obras do que de costume, viram-se sem pinturas e esculturas para comercializar hoje e amanhã, tal foi a procura. Houve uma mudança de comportamento na mostra. Os empresários, que costumavam aparecer e comprar obras de um artista pelo seu valor de mercado, sem tomar conhecimento do que se tratava, não estiveram presentes dessa vez, mas os colecionadores tradicionais e artistas milionários foram e compraram. Um dos artistas plásticos mais badalados da atualidade, o alemão Neo Rauch, teve na abertura uma tela vendida ao ator Brad Pitt, por US$ 1 milhão (quase R$ 2 milhões). As telas de Rauch mostram homens robotizados jogando golfe em geleiras ou seres solitários nas mais bizarras situações, e nos servem como fonte de reflexão da nossa época tão estranha e tão mal compreendida. Para acompanhar a Art Basel e conhecer as obras e os artistas participantes, basta entrar no site www.artbasel.com e navegar pelos artistas e pelas galerias. Os organizadores esperam vender até domingo mais de US$ 300 milhões, que foi o montante das vendas nas últimas edições. Quatro galerias brasileiras estão participando da feira, já com vendas também acima das expectativas. São elas Luísa Strina, Marília Razuk, Fortes Vilaça e Milan. Os galeristas brasileiros também lamentam não terem levado mais obras à feira. A crise mundial não terminou, a palavra recessão ainda passeia na boca de empresários, jornalistas e pessoas em geral, mas não arde nem queima tanto quanto no início deste ano. Alguns setores começam a dar sinais de recuperação, e o mercado de arte, que é um dos que mais sofrem nesses períodos difíceis, é um deles. Falta ainda um pouco para que a crise seja considerada passado, e muitos hábitos de consumo terão de se adaptar aos novos tempos. As vacas não serão tão gordas em um futuro próximo, mas as vacas magras começam a mostrar sinais de recuperação que justificam um certo otimismo. Eu disse um certo. Nada de exagero. Foi o exagero e o consumismo exacerbado, mais a especulação, que provocaram todo esse desastre. Com os pés no chão, sem viajar na possibilidade de obter lucros estratosféricos, os empresários poderão vivenciar dias melhores, mas com cautela. JAIME LEITÃO é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação.

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