Um Artigo do Jornal de Piracicaba
Na semana passada o Jornal Nacional, que é o telejornal mais visto em todo país, apresentou uma série de reportagens em quatro episódios sobre os evangélicos no Brasil. O foco da reportagem foi mostrar atividades realizadas por algumas denominações evangélicas, em especial sobre suas obras assistenciais. No dia 26, o título da série foi: "Missionários traduzem a Bíblia para os índios no MS"; no dia 27, "SP: metodistas salvam almas nos subterrâneos"; no dia 28, "Batistas e adventistas ajudam crianças pobres"; e no dia 29, última reportagem, "A atuação dos Luteranos no Rio Grande do Sul". Depois de ter visto a primeira reportagem, sem entender os reais motivos disto, corri escrever um e-mail ao meu primeiro orientador, professor Paul Charles Freston, sobre estas reportagens e para saber a opinião dele sobre o motivo disto! Explico. Os evangélicos nunca tiveram qualquer simpatia da Rede Globo, muito pelo contrário, foram até perseguidos e alvo de profundas manifestações de repúdio. Porque o Jornal Nacional resolveu agora exibir quatro reportagens sobre os evangélicos, que, diga-se de passagem, foram, ao contrário de tudo o que se esperava, muito positivas e bem elaboradas, sem qualquer denotação depreciativa. Eis a questão! Em resposta ao meu e-mail, o professor Paul Freston, que é um grande sociólogo da religião e que tem se dedicado aos estudos do fenômeno evangélico no Brasil desde há muitos anos, e que foi quem me iniciou nos estudos da sociologia da religião, particularmente sobre os evangélicos também, disse que ficou surpreso com tal atitude do Jornal Nacional, mas que não imagina o motivo de origem desta manifestação. Poderia algum grupo evangélico ter financiado tal empreitada midiática? Particularmente eu acho que não. Seria alguma reação contra a Rede Record? É possível, pois a Rede Record, que é da Igreja Universal do Reino de Deus, sempre foi o principal alvo da Rede Globo, com especial destaque às históricas tentativas de ataque e eventos no passado que visavam a desmoralizar os pastores da Universal, o bispo Edir Macedo, e o episódio da sua prisão, financiado pela Rede Globo etc. Não quero aqui afirmar que todo grupo evangélico é de igual característica da Igreja Universal, pois o fenômeno evangélico é muito dinâmico e de grandes expressões, estou somente querendo colocar alguns fatos no debate para tentar entender o que motivou tal apresentação. Isto também não desmerece o mérito de que seja possível haver reportagens sobre os evangélicos na televisão, mesmo que seja no Jornal Nacional. Mas um fato importante precisa ser destacado. No próximo ano, 2010, teremos o censo geral da população brasileira, e será um grande momento para sabermos a face religiosa do Brasil no início do século 21. Certamente os dados revelarão, e isso não precisa de nenhuma consulta com a Mãe Dinah para saber de antemão, que os evangélicos serão um grande número, surpreendendo todos, ou quase todos. Vamos lembrar alguns dados. Em 1940 os evangélicos eram 2,6%; em 1950, 3,4%; em 1960, 4,0%; em 1970, 5,8%; em 1980, 6,6%; em 1991, 9,0%; e em 2000, 15,4%. Já os católicos que em 1991 eram de 83,3%, em 2000 ficaram apenas em 73,8%, um queda prevista e incontrolável do catolicismo. Já os evangélicos, como nos mostram os dados censitários, vêm crescendo paulatinamente, e seguramente, sem que algum vidente me diga, 2010 não demonstrará em nada o contrário disto. Os evangélicos serão um grande potencial (eleitoral). O Jornal Nacional e a cúpula global sabem destes dados perfeitamente. Sabem também que se conquistar a simpatia deste público será uma grande oferta aos candidatos para as eleições presidenciais de 2010. Ou seja, se "irmão vota em irmão" (o pastor Marcos sabe disso), a fatia do bolo santo que a Globo vai vender para a campanha não vai ser barato, pois esta fatia é que vai eleger o presidente. Aquele que tiver dinheiro para pagar esta fatia abençoada vai vestir a faixa no Planalto! EDUARDO GABRIEL é sociólogo.
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