A Petrobras não se cansa de reclamar da CPI criada no Senado para investigar suas atividades. Tem feito todo tipo de pressão, antes mesmo do início dos trabalhos da comissão. Mas não é que a empresa pode lucrar com essa crise. Explico: o governo Lula, numa estratégia para mostrar que defende a estatal enquanto a oposição tenta prejudicá-la, está decidido a criar normas para fortalecer a Petrobras na definição do novo modelo de exploração de petróleo no país.
Até pouco tempo, o próprio presidente Lula fazia questão de dizer que as reservas de petróleo encontradas na camada de pré-sal são do país, e não da Petrobras. Um recado dirigido à estatal que, nos bastidores, buscava ampliar sua influência na montagem das novas regras do marco regulatório do setor e encontrava resistências na Casa Civil e no Ministério de Minas e Energia.
Agora, a ordem é fazer o que for possível para mostrar que a Petrobras será fortalecida no processo. Daí que tudo indica que o projeto a ser encaminhado ao presidente Lula vai dizer que a futura estatal responsável pela administração do pré-sal poderá escolher a Petrobras como sua parceira preferencial. Sem passar pelo processo de licitação.
A estatal pode, inclusive, ter atendidas outras de suas reivindicações. Dada como descartada, está em discussão novamente a ideia de que áreas vizinhas aos blocos do pré-sal já em poder da Petrobras possam ser transferidas para ela. Mas isso ainda não está definido, só que voltou a ser considerado.
Lula deve receber a proposta do novo modelo até o dia 15 de junho. Sua ideia é, depois de aprová-la, usar sua divulgação na tática de pressionar a CPI da Petrobras a ser mais restrita possível e durar apenas os 180 dias iniciais, sem prorrogação. Ou seja, ninguém no governo quer uma CPI funcionando em ano eleitoral e investigando tudo e todos.
Paralisia
A direção da Petrobras tem dito frequentemente que os trabalhos da CPI podem levar a um clima de paralisia dentro da empresa. Parte de sua munição contra os senadores da oposição, o fato é que a CPI realmente pode ter esse efeito sobre alguns gerentes da estatal. Receosos de que seus atos possam parar na lista de investigação dos senadores, muita gente pode jogar na defensiva e deixar de assinar contratos com empresas no alvo da comissão. Isso já aconteceu com outros setores do governo em momentos de tensão provocados por CPIs.
Apesar de ser um discurso que até tem procedência, a CPI é um fato consumado e, ao final, pode representar também ganhos para a estatal e seu futuro. Hoje, todos reclamam da pouca transparência da empresa e de seu uso político. Se a direção da Petrobras tiver razão em suas queixas, de que nada disso procede, a CPI pode ser o palco ideal para mostrar sua posição. Por outro lado, se os senadores conseguirem comprovar o que todo mundo diz, a atual direção pode até sair perdendo no processo, mas a empresa como instituição sairá lucrando. A conferir. Por Valdo Cruz da Folha online.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
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