JOSÉ MASCHIOda Agência Folha, em Londrina
A Operação Angustifolia, da Polícia Federal e órgãos públicos do Paraná, interditou ontem 16 empresas madeireiras em São Paulo e no sul do Paraná e prendeu seis pessoas. O prefeito de Bituruna (317 km de Curitiba), Remi Ranssolin (PTB), também com prisão temporária decretada, era considerado foragido pela PF no início da noite de ontem. Três empresários presos em São Paulo não tiveram seus nomes divulgados pela PF.
Estão entre os detidos com prisão temporária decretada: o prefeito de General Carneiro (274 km de Curitiba), Ivanor Dacheri (PSB), o presidente da Câmara Municipal da cidade, José Cláudio Maciel (PSB), e o vice-prefeito de Coronel Domingos Soares (559 km de Curitiba), Volnei Barbieri (PSDB), que foi preso na sua empresa, a Madeireira CDS.
As prisões temporárias foram determinadas pelo desembargador do TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região (Porto Alegre) Amaury Chaves de Athayde, que acatou pedido da PF. Como prefeitos estavam envolvidos nos supostos delitos ambientais, a competência para determinar ou não suas prisões é do âmbito do TRF.
Além das prisões, foram interditadas 16 empresas em cidades do Paraná e de São Paulo. Entre as empresas interditadas está a Indústria Pedro N. Pizzatto, da família do deputado federal Luciano Pizzatto (DEM-PR). As empresas interditadas estão nos municípios de Bituruna, General Carneiro, Coronel Domingos Soares, União da Vitória, Palmas e Cruz Machado, no Paraná, e uma distribuidora de produtos industrializados de madeira na capital paulista.
A operação da PF --nome científico do pinheiro araucária--, iniciada em 25 de maio, buscava fiscalizar 145 pontos de desmate ilegal de florestas de araucária no sul do Paraná. Na operação, R$ 4 milhões em multas foram aplicadas a madeireiras e serrarias da região. Segundo o superintendente da PF no Paraná, Maurício Valeixo, nos últimos dez anos empresas da região já receberam cerca de R$ 1 bilhão em multas por crimes ambientais.
Os presos irão responder por crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção ativa e uso de documentos falsos. Além disso, irão responder também por infringir cinco artigos da lei que trata dos crimes contra a ordem tributária e outros seis da Lei de Crimes Ambientais.
Outro lado
O deputado federal Luciano Pizzatto (DEM-PR) disse ontem que tem o ''sentimento'' de que a interdição da empresa de sua família, no Paraná, foi represália política. Ele disse estranhar que as ações da Polícia Federal foram endereçadas a adversários políticos do governo Roberto Requião (PMDB) e do governo federal na região.
''Eu assumo corresponsabilidade na empresa, que é dirigida pela minha mulher, mas é estranho que isso ocorra depois de denúncias contra o ministro do Meio Ambiente [Carlos Minc] feitas a partir de investigações nossa'', disse Pizzatto, que investiga, na Câmara dos Deputados, supostas irregularidades do Ministério do Meio Ambiente no episódio dos bois piratas na Amazônia.
O prefeito de Bituruna, Remi Ranssolin (PTB), procurado pela PF, não foi localizado pela reportagem. O advogado Luiz Ernani da Silva disse que o prefeito de General Carneiro, Ivanor Dacheri (PSB), não foi preso. ''Ele se apresentou após saber do mandado. Não houve prisão, mas sim apresentação."
Silva Filho disse que iria representar também o presidente da Câmara da cidade, José Cláudio Maciel (PSB), dono do escritório contábil no qual seriam produzidas notas falsas para as madeireiras. "Não posso falar nada ainda porque vou falar com ele antes", disse Silva Filho.
Juraci Barbieri, irmão do vice-prefeito de Coronel Domingos Soares, Volnei Barbieri (PSDB), disse que a situação de seu irmão estava indefinida e ainda não tinha constituído advogado para representá-lo. O líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), classificou, em nota, a ação da PF como "terrorismo ambiental". A base política de Rossoni é na região afetada pela operação.
Já o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), usou sua ''escola de governo'' --uma reunião de seu secretariado que ocorre às terças-feiras-- para elogiar a ação da PF. ''Se essa gente não tem consciência ambiental, vai adquirir agora na cadeia'', afirmou.
A Operação Angustifolia, da Polícia Federal e órgãos públicos do Paraná, interditou ontem 16 empresas madeireiras em São Paulo e no sul do Paraná e prendeu seis pessoas. O prefeito de Bituruna (317 km de Curitiba), Remi Ranssolin (PTB), também com prisão temporária decretada, era considerado foragido pela PF no início da noite de ontem. Três empresários presos em São Paulo não tiveram seus nomes divulgados pela PF.
Estão entre os detidos com prisão temporária decretada: o prefeito de General Carneiro (274 km de Curitiba), Ivanor Dacheri (PSB), o presidente da Câmara Municipal da cidade, José Cláudio Maciel (PSB), e o vice-prefeito de Coronel Domingos Soares (559 km de Curitiba), Volnei Barbieri (PSDB), que foi preso na sua empresa, a Madeireira CDS.
As prisões temporárias foram determinadas pelo desembargador do TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região (Porto Alegre) Amaury Chaves de Athayde, que acatou pedido da PF. Como prefeitos estavam envolvidos nos supostos delitos ambientais, a competência para determinar ou não suas prisões é do âmbito do TRF.
Além das prisões, foram interditadas 16 empresas em cidades do Paraná e de São Paulo. Entre as empresas interditadas está a Indústria Pedro N. Pizzatto, da família do deputado federal Luciano Pizzatto (DEM-PR). As empresas interditadas estão nos municípios de Bituruna, General Carneiro, Coronel Domingos Soares, União da Vitória, Palmas e Cruz Machado, no Paraná, e uma distribuidora de produtos industrializados de madeira na capital paulista.
A operação da PF --nome científico do pinheiro araucária--, iniciada em 25 de maio, buscava fiscalizar 145 pontos de desmate ilegal de florestas de araucária no sul do Paraná. Na operação, R$ 4 milhões em multas foram aplicadas a madeireiras e serrarias da região. Segundo o superintendente da PF no Paraná, Maurício Valeixo, nos últimos dez anos empresas da região já receberam cerca de R$ 1 bilhão em multas por crimes ambientais.
Os presos irão responder por crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção ativa e uso de documentos falsos. Além disso, irão responder também por infringir cinco artigos da lei que trata dos crimes contra a ordem tributária e outros seis da Lei de Crimes Ambientais.
Outro lado
O deputado federal Luciano Pizzatto (DEM-PR) disse ontem que tem o ''sentimento'' de que a interdição da empresa de sua família, no Paraná, foi represália política. Ele disse estranhar que as ações da Polícia Federal foram endereçadas a adversários políticos do governo Roberto Requião (PMDB) e do governo federal na região.
''Eu assumo corresponsabilidade na empresa, que é dirigida pela minha mulher, mas é estranho que isso ocorra depois de denúncias contra o ministro do Meio Ambiente [Carlos Minc] feitas a partir de investigações nossa'', disse Pizzatto, que investiga, na Câmara dos Deputados, supostas irregularidades do Ministério do Meio Ambiente no episódio dos bois piratas na Amazônia.
O prefeito de Bituruna, Remi Ranssolin (PTB), procurado pela PF, não foi localizado pela reportagem. O advogado Luiz Ernani da Silva disse que o prefeito de General Carneiro, Ivanor Dacheri (PSB), não foi preso. ''Ele se apresentou após saber do mandado. Não houve prisão, mas sim apresentação."
Silva Filho disse que iria representar também o presidente da Câmara da cidade, José Cláudio Maciel (PSB), dono do escritório contábil no qual seriam produzidas notas falsas para as madeireiras. "Não posso falar nada ainda porque vou falar com ele antes", disse Silva Filho.
Juraci Barbieri, irmão do vice-prefeito de Coronel Domingos Soares, Volnei Barbieri (PSDB), disse que a situação de seu irmão estava indefinida e ainda não tinha constituído advogado para representá-lo. O líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), classificou, em nota, a ação da PF como "terrorismo ambiental". A base política de Rossoni é na região afetada pela operação.
Já o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), usou sua ''escola de governo'' --uma reunião de seu secretariado que ocorre às terças-feiras-- para elogiar a ação da PF. ''Se essa gente não tem consciência ambiental, vai adquirir agora na cadeia'', afirmou.
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