quarta-feira, 17 de junho de 2009

De Volta ao Etanol

Editorial Jornal de Piracicaba

O tema passou praticamente batido ao longo de todo o primeiro semestre. Mas, para alívio de muitos, o economista e ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, voltou a relacionar a posição estratégica de Piracicaba na cadeia produtiva do etanol, em palestra que ministrou ontem para alunos da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). Desde o agravamento da crise mundial e dos reflexos dela para a economia local, especialmente no reflexo mais dramático ­­ o desemprego ­­ a relação entre etanol e crescimento, entre etanol e riqueza, ficou praticamente congelada. Os fatos foram se agravando com os números sobre demissões e redução de exportações e, apesar de ações isoladas, como reuniões do Apla (Arranjo Produtivo Local do Álcool), em nível local, e o trabalho incansável da Única (União da Indústria de Cana-de-açúcar), o tema etanol ficou praticamente congelado, à espera da tão sonhada retomada, da volta do ciclo virtuoso que tivemos até bem recentemente na economia local. Ao falar aos alunos da Esalq, Maílson reforçou a condição do etanol brasileiro como econômica e ambientalmente competitivo. E, nesse sentido, ele destacou a posição de Piracicaba como centro mundial de produção de tecnologias, onde estão todos os segmentos ligados de maneira direta ou indireta ao avanço do agronegócio, seja no campo da produção, pesquisa, tecnologia, comercialização e disseminação das informações. O ex-ministro fez recomendações importantes que devem entrar na ordem de prioridades do setor. Ele falou da necessidade de certificação adequada, da comprovação de que não estamos cortando árvores da Amazônia para plantar cana e de um grande trabalho de marketing dessas informações, para que o mundo não trabalhe com base equivocada de informação. E esse tratamento é fundamental, até porque só se vai criar efetivamente um mercado mundial para esse combustível verde, grande substituto dos combustíveis fósseis, se pudermos convencer o mercado da seriedade do produto e do atendimento a demandas projetadas. Tudo que correr contrário a essa proposta vai inviabilizar saltos maiores, que vêm sendo acalentados há décadas, em passado mais recente há pelo menos cinco anos. Maílson acredita que as barreiras impostas ao produto nacional irão começar a cair, especialmente porque o etanol brasileiro é imbatível em relação ao etanol americano, feito de milho. Ouvir de um economista renomado, um ex-ministro, esse tipo de avaliação, traz um alento. A cidade espera paciente a hora de retomada e tem muito a oferecer. Tem a melhor tecnologia para a produção desse combustível renovável.

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