terça-feira, 2 de junho de 2009

De Volta ao Tatuapé

A falta de moradia é questão complexa e fica mais grave em épocas de crise. Quando se tem desemprego, núcleos habitacionais se formam ou ganham muitos vizinhos. A favela do Jardim Tatuapé está nessa situação. Na verdade vive em clima de novela, com capítulos que se arrastam e retomam ao mesmo ponto. Ao passar ontem pelo local a reportagem do Jornal de Piracicaba encontrou cerca de 40 novas casas, que segundo velhos moradores já somam 100. Em setembro de 2008, a prefeitura havia deixado no local 48 unidades. Além da questão da invasão de área particular, o que chama a atenção é o risco que correm essas famílias, instaladas em encostas. Em janeiro do ano passado, por causa das chuvas, um barraco desabou nesse mesmo núcleo. Felizmente, ninguém ficou ferido. Os próprios vizinhos fazem relação exata entre a ocupação e a crise. As cerca de 400 pessoas que estão no local não dispõem de rede de esgoto e a luz e água dos moradores são conseguidas por meio de ligações clandestinas. Mas os moradores não querem viver eternamente como invasores, irregulares, sem estrutura, luz ou esgoto. Eles afirmam que querem pagar pelo pedaço de terra, querem endereço. Reclamam dos muitos anos de espera em filas de cadastros municipais. Ouvido pela reportagem, o presidente da Emdhap (Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba), Walter Godoy dos Santos, afirmou que as casas populares são sorteadas e, por isso, as famílias inscritas têm de esperar. Um dado não oficial dá conta de que em Piracicaba o problema de déficit habitacional chega a 7.000 moradias. Ao mesmo tempo que é necessária a espera, existem ações em andamento. Logo que assumiu, o prefeito Barjas Negri prometeu encerrar o segundo mandato com ao menos 90% das favelas de Piracicaba urbanizadas. A meta inclui 13 núcleos e, para atingi-la, Barjas afirmou que manterá ao menos R$ 500 mil anuais no Orçamento da Emdhap para "alavancar" parcerias com os governos federal e estadual. Ao mesmo tempo o prefeito solicitou ao governo federal a construção de 4.000 moradias populares em Piracicaba por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. Claro que existe um movimento permanente de migração, de crescimento econômico, e todas as alegrias e mazelas geradas por ele, o que confere complexidade à solução do problema moradia. E ainda existe um fato complicador, já colocado em abordagens anteriores pelo presidente da Emdhap, de pessoas que são contempladas, vendem as casas e depois constroem barracos novamente. Nesse sentido fiscalização e cruzamento de dados podem conter essa indústria que desequilibra o mercado, cria um círculo vicioso de desesperança, tira de forma desleal da fila famílias que têm um teto como único sonho e alimenta ocupações, como a que ocorre hoje no Tatuapé. jornal de Piracicaba

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