Comemora-se hoje o Dia da Comunidade Italiana no Brasil. Os italianos tiveram e têm uma importância fundamental na formação da nossa cultura. Grande parte dos brasileiros tem ascendência italiana, e parcela significativa da nossa alegria teve origem na miscigenação com esse povo que fala com as mãos e com o corpo todo, numa mímica incrível e vibrante. É difícil encontrar um italiano introvertido, fechado, tímido. E essa extroversão nos influenciou positivamente. O meu contato com a cultura italiana começou quando passei a ter vizinhos italianos e descendentes já criança. Na adolescência, assistia aos filmes de Federico Fellini, Pier Paolo Pasolini, Michelangelo Antonioni, Vitório De Sica e Lucchino Visconti. Viajava pela Itália através das histórias desconcertantes e das imagens presentes nos filmes dirigidos por esses cineastas extraordinários. Quando o meu pai comprou a coleção Gênios da Pintura, passei a me embevecer com as pinturas de Giotto, Canaletto, Tintoretto, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Caravaggio e vários outros. No século 20, italianos vieram para o Brasil, aqui realizaram a sua arte e se tornaram célebres. Entre os mais destacados estão Alfredo Volpi e Fúlvio Penacchi. Outros nasceram no Brasil, mas são descendentes de italianos, como os irmãos Arcângelo e Tomás Ianelli e José Pancetti. A Itália está em nós gravada na arquitetura, na pintura, na literatura. Antônio Alcântara Machado, paulistano, revelou-nos numa linguagem coloquial, bem-humorada, criativa o cotidiano dos imigrantes italianos no seu livro de contos: Brás, Bexiga e Barra Funda, bairros que acolheram os italianos que chegavam para atuar na indústria, no comércio e nos mais diversos serviços que ganhavam impulso na década de 20. E a gastronomia, então? As cantinas, as pizzarias, as trattorias. A Itália representou para nós uma ampliação do nosso universo gastronômico. As massas mais incríveis, também o hábito de tomar vinho, foram introduzidos aqui pelos italianos. Hoje, Dia da Comunidade Italiana, vamos aproveitar o frio e tomar um bom vinho tinto, acompanhado de uma lasanha, um nhoque, um fusili. Apesar de não ser descendente de italianos, tenho muitos amigos descendentes, alguns com cidadania italiana. Quando conheci a Itália: Veneza, Roma, Pisa, Florença, me senti em pouco tempo harmonizado com aquele país cheio de história e de arte. Era como se outros tempos viessem à tona naquelas ruas de Roma, com um trânsito caótico, mas com um clima de alegria misturado com gritos, buzinas, expressando a autêntica alma italiana, que nos tomou a partir do momento em que os italianos se mudaram para cá. Entre os escritores italianos, admiro em especial Ítalo Calvino, com a sua ficção fantástica, surpreendente, que nos remete a outras dimensões. JAIME L EITÃO é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. Jornal de Piracicacaba
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