Os ambientalistas não sabem mais o que fazer para chamar a atenção. Certo o ditado popular que diz "cada louco com a sua mania". Pois bem, a ONG (Organização Não-Governamental) SOS Mata Atlântica está lançando uma campanha para reduzir o desperdício de água no mínimo inusitada: "Faça xixi no banho e evite o desperdício de água da descarga". Com certeza, para Joaquins e Manuéis a campanha vai ter efeito contrário porque vão passar a tomar vários banhos por dia, na medida em que sentirem vontade de "tirar água do joelho". Mas os ambientalistas de plantão já têm tudo calculadinho. Mesmo que você faça coincidir uma única mijada com o banho, essa única descarga economizada no vaso sanitário equivale, em média, a 12 litros de água por dia, o que representa uma economia de 4.380 litros de água potável no ano. Já pensou que falta faz essa quantidade de água potável lá no sertão do Nordeste? Se imaginarmos que uma descarga de válvula hidra libera cerca de 30 litros de água, a economia será de 10.950 litros, um caminhão-pipa. Mas, nem tudo o que reluz é ouro. O xixi durante o banho pode não trazer tanta vantagem assim. O chuveiro aberto gasta, por minuto, de 10 a 20 litros de água. Então, se você alongar o banho por mais um ou dois minutos para dar uma "desaguada", a pretendida economia de água pode ir para as cucuias. Por outro lado, o box do chuveiro não é latrina. Se o ralo do box for do tipo sifonado, como geralmente é, pode ficar resíduo de xixi no recipiente de sifonamento do ralo, o que poderá gastar desinfetante e mais água para higienizálo. O biomédico Roberto Figueiredo, que se notabilizou por suas aparições no Fantástico, da TV Globo, como Doutor Bactéria, ouvido a respeito, acha que devemos separar as duas coisas. É claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Diz o Doutor Bactéria: "O chuveiro é o local para tomar banho e a privada é um local que possui a sua função específica" (educado, ele). Nesse sentido, aliás, é o aviso colocado próximo à piscina do meu amigo filósofo Praxedes, que estabeleceu para os visitantes: "Vamos fazer um acordo: eu não nado na sua privada e você não faz xixi na minha piscina". Mas, continua o Doutor Bactéria, afirmando que "o ato de urinar no piso do chuveiro pode acarretar, tendo em vista a possibilidade de um não-enxagüe adequado, o crescimento de microorganismos, alguns dos quais podem levar a possíveis aparecimentos de doenças de pele, principalmente porque no momento do banho a pele pode estar mais fragilizada". Mas, segundo um ambientalista, que também é dermatologista, 95% do xixi é água e 5% se compõe de uréia e sal. A uréia do xixi não traria problemas de pele, já que a uréia é utilizada, também, em hidratantes para a pele. Finaliza dizendo que é impossível uma pessoa se contaminar com a própria urina. A idéia lançada pela ONG ambientalista, de fazer xixi no banho, com certeza não é novidade para ninguém. Seria apenas uma questão de institucionalização e socialização do hábito. Ainda no tocante às descargas do vaso sanitário, são comuns na Europa e já à venda no Brasil, por cerca de US$ 150, as descargas que liberam volumes diferentes de água conforme o "serviço" ou a necessidade: botão 1 para o "nº 1" e botão 2 para o "nº 2".(tchuaaaaaa) Será que essa ONG SOS Mata Atlântica não pensou, ainda, no uso que virou hábito das máquinas lava-jato? Ninguém usa mais vassoura para varrer o chão e as calçadas. Não se varre mais com vassouras. Varre-se com o jato de água. Não se lava mais carro com água, sabão e balde. Lava-se com lava-jato. Os ambientalistas de plantão não param. Tem um gaiato aí se engajando na campanha do xixi no banho e só para não sair do âmbito do banheiro, está sugerindo o uso do papel higiênico dos dois lados e também que se use pedaços menores do papel. Aliás, antigamente, o papel higiênico vinha picotado, de 20 em 20 centímetros, como as toalhas de papel. O artista e gozador chega a fazer a conta de quantas árvores utilizadas para fazer papel deixariam de ser cortadas por ano. Com sede em Pirenópolis, Goiás, o Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ipec) se dedica a preservar e recuperar o cerrado. Constrói casas usando o próprio solo, a terra do local. Capta água da chuva, trata as águas servidas para serem reutilizadas. São utilizados "sanitários secos". Os moradores, ou vão no matinho ou vão na privada compostável, onde não há descarga. A água, que já foi servida antes e retrabalhada, só é usada para lavar as mãos. Segundo Felipe Horst, do Ipec, as fezes humanas do sanitário compostável, após ficarem por seis meses armazenadas no sol (compostagem), são utilizadas como adubo, não restando delas qualquer vestígio e economizando água. Pode ser que essa história de xixi no banho, papel higiênico dupla face e adubo de cocô compostável esteja tudo muito certo e eu é que seja, ecologicamente, uma besta quadrada, mas ninguém vai me impedir de dizer que esses ambientalistas são todos uns no-jentos! (com sotaque nordestino). OLÊNIO S ACCONI é advogado e escreve às terças-feiras no Jornal de Piracicaba.
terça-feira, 2 de junho de 2009
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