terça-feira, 2 de junho de 2009

Tem jeito, sim!

Este país tem jeito, ainda que a frase mais usada por conveniência seja o contrário, de que não tem jeito. Mas se deve ressaltar que é difícil, mas a dificuldade não deve ser empecilho de busca da solução. Muitas pessoas têm a sensação de que cumpriram com suas responsabilidades e de que nada têm a ver com os problemas. Quem pensa assim, engana se. As questões sociais no Brasil precisam ser encaradas com mais seriedade por todos. Quando o prefeito Paulo Maluf aprovou a lei que obrigava o uso do cinto de segurança, a chiadeira foi total. Argumentos sobraram. Como se tratava de uma medida salutar, foi estendida ao país e hoje quase todos utilizam naturalmente. Não fez grande diferença na quantidade de mortos em acidentes, mas o brasileiro adora provocar a morte e nem mesmo o cinto consegue evitar acidentes gravíssimos. Morre-se muito em função de irresponsabilidade, falta de fiscalização e nenhuma punição aos que fazem do próprio carro uma arma de matar. A erradicação da paralisia infantil demonstra que solução existe quando a ação é séria. No final da década de 90 e começo desta, em São Paulo os seqüestros ocorriam a todo segundo. Hoje ainda existe, mas em número bem menor, quase chega à extinção. Caso houvesse pena certa e rápida, se houvesse prisão perpétua ou pena de morte para os seqüestradores, raramente ocorreria esse crime. O problema é que o Estado e a cultura brasileira visam à proteção sempre ao criminoso e esquecem as vidas perdidas no esporte predileto dos assassinos. Na diminuição de fumantes está outra demonstração de que tem jeito, sim. Basta atuar e utilizar-se das diversas variantes para a solução. Existem situações esporádicas que demonstram também que todo problema tem solução. O caos dos aeroportos mostra isso. A reciclagem, também. Claro que alguns fatos tentam provar que não existe solução ou que ela estaria muito longe, como as recentes notícias de que em São Paulo aumentou o número de moradias irregulares e também são 75% das construções em Salvador, além do assalto a uma agência bancária dentro do Comando do Quartel General do Exército por apenas dois homens. Precisa-se seguir a dica do presidente Lula para solucionar. Levantar-se da cadeira. Requer extinção urgente do analfabetismo. Apesar de já terem sido criados inúmeros programas, cada um com o nome mais pomposo, Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), Mova (Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos), EJA (Educação de Jovens e Adultos), apenas milhões de reais foram engolidos pelo ralo da corrupção. O resultado é um país com uma educação deplorável, onde até quem estuda e conclui o ensino médio continua analfabeto. Os índices têm demonstrado o desastre que são os ensinos públicos fundamental e médio. E de que as universidades públicas foram feitas para a elite. Não cito exceções, sempre mencionadas pelas autoridades. Estradas esburacadas, a má dentição, a gravidez precoce, o desmatamento, a falta de moradia, as pichações generalizadas nas cidades, inclusive de prédios públicos, a morosidade infinita do Judiciário carecem de solução com brevidade. São problemas que se eternizam pela incompetência cristalina da administração pública, respaldada pela inércia e hibernação de toda a sociedade. Alguns, ocorrem por conivência camuflada, como a falta de julgamento de bandidos da alta classe. E isso a sociedade precisa forçar o Poder Judiciário a acabar. Criminoso precisa ser punido pelo crime que comete e não pela classe a que pertence. Ninguém entende por que o Ministério Público Federal não ingressa com ações para ressarcimento de todo centavo gasto com os passeios de parentes e amigos de parlamentares. Não resta dúvida de que tem jeito, mas é preciso levantar-se da cadeira, cobrar incisivamente do poder público e exercer a cidadania em sua plenitude. Senão, ao menos fale, se calar, jamais. P EDRO CARDOSO DA COSTA é bacharel em direito. Jornal de Piracicaba

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