O presidente do Senado José Sarney revelou a amigos mais próximos, nos últimos dias, que está cansado e que pretende deixar a presidência daquela Casa no ano que vem, 2010, quando completará 80 anos. A primeira vez que falou sobre o assunto foi há dois meses, quando explodiram os primeiros escândalos no Senado. Pobre Sarney, está cansado? Precisa de um descanso urgente, talvez passar uma temporada em um resort ou um spa. Não, nada disso, nós é que estamos cansados da sua política clientelista e coronelista, que ele põe em prática há mais de 50 anos. Política essa responsável pela miserabilidade do povo maranhense, que vive com uma das menores rendas per capita do país e um sistema de educação e de saúde muito precário. Sarney, com seu verniz intelectual, de escritor e de membro da Academia Brasileira de Letras, esforça-se, mas não consegue esconder os seus métodos de fazer política, bastante eficazes, que o mantiveram no topo do poder ou próximo dele por mais de cinco décadas. É muito tempo e muito poder para um político só. Não tão só assim porque fez dos seus filhos herdeiros do seu monopólio. Quando percebeu que não seria mais eleito senador pelo Maranhão, candidatou-se pelo Amapá, e, quando ninguém mais esperava que ele voltasse a presidir o Senado, surgiu das cinzas com o seu fôlego surpreendente e a sua fala mansa. Política no Brasil, infelizmente, é ainda muito clientelista, seguindo a velha prática do sertão, de trocar votos por benefícios diversos, mantendo a população na miséria, sendo tratada por cestas básicas e Bolsas que não passam de medidas paliativas. Aí quando eu leio que Sarney está cansado, penso: Está pensando que somos tontos. Na verdade, deve pensar isso há muito tempo porque sabe muito bem manejar a máquina política, e antes de deixá-la, faz toda uma encenação para ouvir de seus correligionários: Fica, fica. Aí ele aceita se candidatar ao Senado por mais um período de oito anos. Não, o Brasil não merece isso. Eu digo: Já passou da hora de Sarney e muitos outros políticos deste país saírem de cena, abrindo espaço para políticos com idéias mais arejadas e voltadas para os interesses da população, não do seu grupo. O problema é encontrar esses novos políticos. Mesmo muitos políticos jovens espelham-se nas práticas velhas e tornam esse desastre, que aqui perdura há séculos, ainda maior. A velha escola da política brasileira está mais do que falida, mas continua dando as cartas e fazendo novos seguidores. Cabe aos eleitores implodir esse jeito de governar, de administrar, e a melhor forma de fazer isso é votando. Se a população continuar dormindo, anestesiada, a velha política do sertão continuará em ação, e o país do futuro continuará sendo o país do passado, no pior sentido, preservando os maus hábitos e recusando-se a assumir uma nova postura. JAIME L EITÃO é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. Jornal de Piracicaba.
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