segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Procurador diz ter provas contundentes contra brasileira

Leandro Demori
Direto de Oderzo
O procurador que cuida do caso de Simone Moreira, acusada de matar a filha Giuliana Favaro em Oderzo, região nordeste da Itália, diz ter "provas contundentes" que incriminariam a brasileira de 22 anos.
Para Antonio Fojadelli, restam poucas dúvidas de que Simone é a autora do crime.
Ela está presa na cidade vizinha de Belluno e nega a autoria, sustentando a versão de que a filha teria desaparecido enquanto ambas tomavam um sorvete em uma pequena praça da cidade.
As provas, segundo o procurador, somente serão apresentadas no tribunal de reexame de Veneza, onde a defesa de Simone encaminhou pedido para que ela responda ao processo em liberdade. Uma delas, no entanto, seria uma passagem aérea apreendida com Simone tendo o Brasil como destino. "Era uma passagem só, e não duas", enfatiza o procurador.
Um dos dois advogados da brasileira assegura desconhecer as provas e limita-se a esperar pela apelação. "Vamos aguardar a audiência", diz Alvise Tommaseo Ponzetta. Conforme o advogado, não há prazo estabelecido para o julgamento do habeas corpus. O resultado do recurso, acredita, deve sair em 10 dias.
O corpo da menina Giuliana Favaro está sendo autopsiado na tarde desta segunda-feira no hospital de Oderzo. Além dos legistas legais, o perito particular Angelo Ferri, contratado pela defesa, acompanha o procedimento. O resultado da autópsia deve sair em uma semana.
Simone Moreira seria ouvida mais uma vez pela Justiça na tarde de hoje. O depoimento, no entanto, foi remarcado para as 10h de quarta-feira, em Treviso, capital da região. Simone, que está presa em Belluno, será levada até lá.
Suposta confissão
Os jornais da região publicaram hoje que Simone havia confessado o crime à procuradoria.
Da cela que divide com outras três mulheres em Belluno, a brasileira teria pronunciado a frase "Eu a matei". O advogado nega veementemente a confissão.
"Elá está tomando medicação pesada e ainda sob efeito psicológico do acontecimento. A frase, se foi dita, deve ser interpretada dentro de um contexto". O procurador Fojadelli vai na mesma linha. "Não houve confissão alguma, a senhora Simone está passando por um momento delicado e precisamos ter calma".
Um senhora que mora em um pequeno prédio perto de onde Giuliana supostamente caiu no rio Monticano disse à polícia local que ouviu uma criança chamar insistentemente pela mãe, por volta das 23h30 de quarta-feira. A polícia não exclui o testemunho, mas disse que, àquela hora, Giuliana estava há cerca de 1,5 km adiante, seguindo o curso do da água. Não faria sentido, portanto, a filha chamar pela mãe ainda da Praça Rizzo.
O local onde moradores e amigos da família deixam flores, velas, balões, bichos de pelúcia e cartazes parece um cenário difícil para a queda de uma criança de pouco mais de 2 anos sem que haja ferimentos.
O próprio advogado de Simone Moreira não acredita que a menina tenha caído ali. "Ela teria se machucado, há ferros e pedras no local", garante Tommaseo, lembrando que o corpo de Giuliana não apresenta sinais de queda violenta. Mas adverte: "Simone jamais disse que sua filha havia caído daquele ponto".
Entenda o caso
A brasileira Simone Moreira, 23 anos, foi presa no dia 5 deste mês acusada de matar a filha Giuliana Favaro, 2 anos, afogada em um rio na cidade de Oderzo, província de Treviso, no norte da Itália. No dia 3, a brasileira disse que a filha havia desaparecido enquanto ambas tomavam um sorvete na praça da cidade.
O corpo da criança foi encontrado duas horas depois, por volta da 0h, enrolado em algas e vegetações no rio Monticano. Para o juiz do caso, se Giuliana tivesse caído no rio no local indicado pela mãe, seu corpo deveria ter graves ferimentos, já que o lugar apontado é cheio de pedras. No corpo da filha, no entanto, não havia ferimentos que indicassem a queda, conforme informações iniciais da perícia.
Depois do depoimento da brasileira, o juiz decidiu mudar a acusação a Simone de homicídio culposo para homicídio doloso (quando há intenção de matar). A brasileira foi presa e encaminhada para a penitenciária feminina de Belluno. A hipótese inicial é que ela tenha jogado a filha no rio de outro ponto àquele apontado em depoimento, ou descido até a margem pelo ponto indicado antes de supostamente afogá-la.
Redação Terra

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