Quando será que os governos, tanto o federal quanto os estaduais, irão perceber que educação e saúde são os setores nevrálgicos de um país e que sem eles funcionando bem nada vai pra frente? Por que antigamente um professor ganhava como um juiz e hoje o salário de um professor da rede pública equivale em média a 10% do que ganha um juiz? Um juiz vale dez vezes mais do que um professor? Boa pergunta. Queremos a resposta. Mas ninguém tem nos dados essa resposta. Anteontem, sexta-feira, médicos que atendem pelo SUS (Sistema Único de Saúde) de diversos Estados fizeram manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, por melhores salários. Médicos especialistas recebem R$ 10 por consulta, o quarto do que recebe um médico que atende por um plano particular. O que ganham em algumas cirurgias também significa um terço do valor do que recebe um médico de convênio privado. E o pior é que esse estado de coisas se estende há muito tempo. Resultado: os médicos atendem por dia cerca de 40 pacientes, as consultas não demoram mais do que 15 minutos e a realidade da saúde continua em estado crítico. A educação não vive uma realidade diferente. As universidades públicas e estaduais estão há quase um mês em greve ou em estado de greve. E as reivindicações também estão voltadas para a conquista de melhores salários, mais verbas para pesquisas, mais equipamentos. A culpa não é dos grevistas, mas de um sistema que mantém em situação de carência máxima dois setores primordiais, que, quando não estão funcionando bem, colocam em desequilíbrio toda a sociedade. Uma sociedade pode ser comparada a um carro. Sem saúde, educação e segurança em bom estado, o carro está com o motor a ponto de fundir, os pneus estão carecas e os amortecedores não amortecem mais nada. No caso da saúde, por exemplo, em tese, toda a população deveria ser bem assistida pelo SUS, já que paga impostos que lhe garantem na Constituição esse atendimento, como acontece em muitos países desenvolvidos da Europa. Na prática, se todos optassem por esse atendimento, haveria uma paralisação geral, por excesso de pacientes e carência de médicos e hospitais. Fala-se tanto em crescimento, em PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas esse crescimento só ocorrerá de fato se os salários e as condições de trabalho de médicos, professores e policiais também tiverem uma valorização significativa. Se isso não ocorrer, greves e paralisações continuarão acontecendo todos os anos, emperrando ainda mais a máquina, que funciona com dificuldade porque falta um plano de fato para que a saúde, a educação e a segurança sejam finalmente levadas a sério. Bom domingo. Apesar de a novela Brasil continuar apresentando o "Não vale a pena ver de novo", mas que continua sendo exibido a todos nós diariamente. JAIME LEITÃO é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
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