segunda-feira, 22 de junho de 2009

Frio e feriado fazem "gripe suína" disparar, dizem médicos; País tem 215 casos

SÃO PAULO - Uma combinação de baixas temperaturas com a volta do feriado de Corpus Christi e a disseminação do vírus da "gripe suína" (rebatizada de gripe A H1N1 pela OMS) no Chile e na Argentina pode estar por trás do grande número de novos casos da doença registrados no Brasil no fim de semana.

Primeiro dia de inverno na avenida Paulista
O infectologista Caio Rosenthal, do Emílio Ribas, afirma que a chegada do inverno no Hemisfério Sul deve favorecer o aparecimento de novos casos. “Todo tipo de gripe se torna mais prevalente nessa época do ano, e com o A(H1N1) não é diferente”, disse. “Como as pessoas não têm anticorpos para esse vírus, quem tiver contato com alguém infectado vai pegar”, afirmou.

Casos da doença
Segundo o Ministério da Saúde, o total de casos confirmados no País saltou para 215, sendo 39% deles registrados só nos últimos dois dias. A maior parte dos casos no Brasil divulgados neste domingo está em São Paulo (15). Em seguida vêm os Estados de Minas Gerais (4), Rio (4), Rio Grande do Sul (4), Santa Catarina (3), Alagoas (1), Distrito Federal (1), Espírito Santo (1), Mato Grosso (1) e Paraná (1). Entre os países do Hemisfério Sul, o Chile já tem 3.125 casos de "gripe suína" e a Argentina, 918. Para o infectologista Celso Granato, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a alta quantidade de novos casos indica ainda que já pode estar ocorrendo um aumento de transmissões autóctones - o que significa que os pacientes contraíram o vírus dentro do País.

Transmissões autóctones
Segundo o boletim divulgado pelo ministério, todos os pacientes passam bem. Os detalhes sobre o tipo de transmissão do vírus - se foi contraído dentro ou fora do País - só devem ser divulgados a partir desta segunda pelo ministério. “Não me parece que haja tantos casos de pessoas que estavam viajando. Ainda não estamos no período de férias”. Até sexta-feira, o ministério contabilizava 23 casos autóctones.

“A preocupação maior está em acompanhar o comportamento do vírus, se há modificações genéticas que resultem em uma doença mais agressiva, que pode atacar pessoas mais vulneráveis, como crianças, idosos e grávidas”, afirma Granato.

Segundo o infectologista e diretor do Instituto Emílio Ribas, David Uip, o aumento no número de casos já era esperado. “Como estamos no início do inverno e voltando do feriado de Corpus Christi, em que muitas pessoas viajaram para a Argentina, acreditávamos que isso pudesse acontecer”, disse.

Férias antecipadas
Colégio Magno, em São Paulo
No domingo, mais uma escola particular de São Paulo anunciou ter antecipado as férias por conta da contaminação de dois alunos pela "gripe suína" Assim como o Pueri Domus, o Colégio Magno vai encerrar antecipadamente as aulas deste semestre em uma de suas unidades por causa da doença.
A medida, que inclui o adiamento da festa junina da escola, tem como objetivo evitar a contaminação de outros alunos. As duas crianças estudam na unidade do Jardim Marajoara, na zona sul de São Paulo.
De acordo com a direção da escola, os dois alunos, do 5º ano e do 9º ano, são irmãos e contraíram o vírus em viagem à Argentina. Eles já estavam afastados das aulas desde a volta do feriado, quando retornaram ao Brasil com sintomas da enfermidade, que foi confirmada por exames no Instituto Adolfo Lutz.

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